Na última quinta-feira (11) as entidades representativas do setor do agronegócio de Mato Grosso subiram o tom das reclamações contra os gargalos que atormenta a área nos debates da abertura do 8ª Circuito da Aprosoja e abriram posições políticas antes inexistentes. Como tudo mundo sabe, a logística é o primeiro. Mas neste ano surgiram agravantes novos que estão influenciando na comercialização da safra 2012/2013 e ameaçam seriamente a de 2014.
Os agravantes que vem de fora são muito graves: baixo crescimento e desemprego nos Estados Unidos; Contenção gradual de demanda na China; piora no quadro recessivo da União Europeia. Somados, esses três macrofatores são bastantes para desencadear efeitos recessivos nos preços das commodities agrícolas. Com uma produção estimada superior a 43 milhões de toneladas de grãos em 2013/2014, o agronegócio mato-grossense teme esses reflexos. Porém, fora esses, ainda tem a safrinha de milho de 2013 sem armazenagem adequada e com preços reduzidos pela super-oferta dos EUA. É de tal ordem a gravidade desse desarmazenamento, que o presidente da Famato, Rui Prado disse que se a presidente Dilma não vier a Mato Grosso ver o problema, certamente virão os seus concorrentes Aecio Neves e Eduardo Campos, prováveis presidenciais concorrentes.
O tom político da abertura do Circuito da Soja pôde ser visto em algumas afirmações fortes. “Incompetente, sem foco, não sabe executar nada e falta alguém de pulso firme para fazer as coisas acontecerem”. É a opinião do presidente da Aprosoja Brasil, Glauber da Silveira. Do jornalista Mauro Zanatta, do jornal Valor Econômico: “Agricultura está fora da agenda central do governo federal e as políticas para o setor vêm sendo empurradas com “a barriga”. “Está claro que na visão de gabinete deles a agricultura vai muito bem e é o patinho feio da agenda de Governo”. De acordo com ele, um dos motivadores desse problema é a concentração de poder na Casa Civil, onde vigora uma visão ideológica conflitante com os ruralistas devido ao núcleo petista. “Lá tem um homem que é osso duro de roer, Gilson Bitencour, que tem uma preferência pela agricultura familiar”. A também jornalista Cristiana Lobo, que atua no jornalismo da Globo News, também acha que “Não tivemos um ponto positivo nesses dois anos de governo. Não conseguimos um quilômetro de estrada”.
Ainda no viés político, duas declarações feitas durante o debate que abriu o Circuito da Soja, indicam uma apreensão com o futuro desses dois próximos anos: “Mauro Zanatta acredita que o a economia brasileira está sendo deixada de lado pelo Governo Federal em detrimento da campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff ter sido deflagrada antecipadamente pelo Partido dos Trabalhadores.
“Eles já falaram, a prioridade é a reeleição da Dilma e o resto não interessa.
O palestrante André Pessoa da AgroConsult, argumentou que a única saída para o problema de logística, enfrentado pelos produtores de grãos e por toda a população dos estados produtores, é ter na iniciativa privada a crença de que as ações que precisam ser executadas serão levadas adiante. O assunto continua amanhã.