Preso a alguns chavões, o pensamento governamental brasileiro obriga (desde os anos oitenta) o Brasil realizar a travessia da história, com a metade da taxa mundial de crescimento, quando o país deveria ostentar a faixa de maior e melhor do mundo, no desenvolvimento com qualidade sustentável, total, de PIB e de IDH, durante pelo menos 3 décadas, consecutivas.
"Cumprimos o dever de casa".
"Em matéria de desenvolvimento, não há milagres, faz-se o que for possível".
"Libere-se comércio agrícola".
No primeiro chavão, os últimos governantes confessam a subordinação aos limites traçados pelo Consenso de Washington, como se fossem uma espécie de lei de doze tabuas, e, bastassem como obrigação de metas a serem cumpridas.
No segundo, lugar comum, a confissão antecipada de não ousar desafiar os sistemas estabelecidos, podando as idéias de poder libertário das amarras de um capitalismo tosco, cruel e retardatário.
No terceiro chavão é que deram o último laço - do terrível nó górdio – que nos mantém atrelados na rabeira do trem do desenvolvimento, quando temos tudo para nos tornarmos uma das locomotivas da economia mundial (a principal, em sustentabilidade) do século vinte e um, pelo menos.
A primeira expressão – fizemos a lição de casa, vem, nos discursos e/ou artigos, normalmente acompanhada de outra confissão de subserviência nefasta 'nós somos do terceiro mundo e eles do primeiro" (uma outra arapuca, típica de "servidão consentida".)
A segunda expressão "não existe milagre, em matéria de desenvolvimento, faz-se o possível" – tem inibido o exame da fileira de oportunidades de inovação no desenvolvimento econômico, que formaram uma fantástica conjunção de fatores de mudança da qualidade do próprio desenvolvimento e da economia, onde o Brasil, terá que vivenciar papel de ativo protagonista, e, de cujas façanhas parecerão resultar verdadeiros milagres.
A terceira afirmativa "libere-se o comércio agrícola" revela a falta de domínio governamental e da iniciativa privada, sobre as componentes da questão agrícola, onde, entre outras se ressaltam as seguintes condições:
1. Os atuais países ricos da OCDE, de clima com invernos rigorosos, perderam,para sempre, o poder competitivo agrícola, frente a países como o Brasil, a Argentina e os paises intertropicais. Principalmente, a Europa é, e sempre será, obrigada a proteger os interesses dos seus agricultores e das suas agriculturas, fornecendo-lhes subsídios para enfrentarem os países que gozam de vantagens comparativas e competitivas absolutas.
2. Como vimos no artigo anterior ( Brasil – vítima e algoz – no seu principal negócio) o mundo precisa de uma quantidade determinável de alimentos (grãos e carnes).
3. Se si deixar por conta do mercado, um pequeno número de empresas transnacionais , atuando em países como o Brasil, em poucos anos, produziriam a metade da comida necessária, deixando países, como os de toda a Europa, por exemplo, sem a produção e os empregos agrícolas.
4. E, o igualmente ruim, gerar-se-ia cada vez menos empregos nos países competitivos, mantendo as populações destes países prisioneiras das cidades e de seus atuais problemas.
5. Não se examina de forma abrangente os problemas e as oportunidades do desenvolvimento integrado e cooperativo da agricultura mundial; no lugar da disputa inglória de interesses, que vimos assistindo a discussão desde 1986, com a Rodada Uruguai do Gatt, que inseriu a questão agrícola no debate comercial.
(Leitor, esta fileira de argumentos é quase infinita, porque após o exame do fenômeno denominado de "cabeça de burro" teríamos que arrolar os argumentos do fenômeno, que poderíamos chamar de "cabeça inteligente/inovadora/criativa/etc" – uma obrigação governamental e cultural - brasileira, principalmente, nesta era do conhecimento e da Internet. Onde, o homem e a sociedade, já poderiam ter dado um salto "milagroso" e evolutivo no caminhar histórico.
Concluímos, comunicando que, juntamente com o portal de agronegócio AGROLINK, estamos preparando o lançamento do livro O PAÍS DO SOL, onde expomos nossas idéias e nossas sugestões de desenvolvimento – para examinar contigo.)
Paulo Braz.
12 de março de 2.006.