Eleições: o Brasil é um país sem memória, e tentar reavivá-la é obrigação de todos. Falta só uma semana, e se a maioria das pessoas não sabe em quem votou na eleição passada, como guardar na memória os nomes daqueles em quem não deve votar? São tantos os nomes envolvidos em supostos ou reais escândalos. Qual é a ordem de votação? Deputado Federal (4 dígitos), Deputado estadual (5 dígitos), Senador (3 dígitos), Governador (2 dígitos) e Presidente (2 dígitos). No total serão digitados 17 números por cada eleitor com um tempo médio gasto de 2 minutos. Para diminuir o tempo e facilitar a votação, a Justiça Eleitoral recomenda que o eleitor leve anotado o número dos seus candidatos. Posso votar em candidatos de partidos diferentes para cada um dos cargos? Sim, pois o voto não é vinculado. Os eleitores mais "antenados" talvez tenham guardado os nomes, escolhidos na última eleição, em uma agenda e recentemente revirado sites que alertam para os candidatos não confiáveis. São poucas as pessoas que votam pensando no país. Grande parte vota porque já ouviram falar no nome, por indicação de um amigo ou pior, votam no pior candidato como forma de protesto. Eles não sabem o quanto é sério um voto. Nas eleições, vote consciente, pois é através do voto em políticos sérios que nós teremos o acesso a direitos, liberdade e cidadania sem trilhar a sofrida via do conflito armado e do terrorismo. A qualidade de vida de nossas famílias resulta da qualidade da política que predomina no país. Quando a política serve à maioria, reduzem-se as desigualdades sociais, o desemprego, a violência, a miséria e a fome.
Festival de Fides: anotem as promessas de campanha dos seus candidatos. Quantas vezes já fizeram promessas que não cumpriram? Dizia-se na Roma Antiga que as promessas não eram esquecidas pelos deuses e que devíamos manter nossa palavra. Coincidência à parte, no dia 1º. de Outubro, comemorava-se o Festival de Fides em louvor à honestidade e à boa-fé dos políticos. Candidatos políticos, lembrem-se de Fides, a deusa romana da palavra e do destino, e peçam perdão por suas promessas não cumpridas e criem coragem para cumprir as próximas.
Trabalho: Brasil é um país alegre que transforma o dia de votação em uma grande festa, apesar das leis eleitorais proibirem determinados atos, muitos eleitores encontram amigos mesários, antigos colegas de bairro e familiares. Os mais idosos acordam cedo e são os primeiros da fila. Os casais com crianças chegam mais tarde porque demoraram até arrumar as crianças com fitas ou roupas verde-amarelas. Muitas famílias mesmo sob certa imposição do calendário reúnem-se e comemoram a data cívica em casa com macarronada ou nos restaurantes tipo churrascaria. Muitos filhos que não mudaram o domicílio eleitoral viajam e reencontram pai e mãe. Até as 17 horas do dia da eleição, o comércio em geral não pode abrir. Excetuam-se os estabelecimentos ligados à saúde, transportes, alimentação e entretenimento, desde que seja garantido aos seus funcionários tempo e condições para votar. Muitos que apenas escutam a promessa de mais empregos neste dia trabalham. A economia informal agita-se. Para as crianças, pipocas coloridas, bexigas infladas com gás e doces. Para os adultos e mesários, pastel, churrasquinho, hot-dog e sorvetes oferecidos em um grande shopping-center a céu aberto. Detalhe, nos shopping-centers provavelmente as lojas serão abertas das 14h às 22h, horário já adotado aos domingos. Não nos esqueçamos dos guardadores de carro, das moças que agitam bandeiras e dos entregadores de "santinhos". Falando nisso, geralmente no fim da tarde, chove. Muita propaganda distribuída em papel derruba os últimos apressados eleitores e entopem bueiros. Hora de calcular os lucros. Para os serviços mais simples, sanduíches e R$ 50. Pipoqueiro, sorveteiro e doceiro em média R$ 300,00. Mais sorte para o pasteleiro, R$ 1.000,00. Eles agradecem e dizem: Vota Brasil!
Comércio: Cinco da tarde, todos com os olhos na TV e sintonia nas rádios que falam sobre a apuração. Parece final de campeonato, será que o meu candidato vai ganhar? Todos reunidos na sala, então, mais comida! Pipoca, lanche, pizza, refrigerante e finalmente cerveja ou outra bebida alcoólica. Dias antes a casa foi abastecida de tudo isso. O comércio registra elevação de 20% nas vendas. Em época de eleição, o comércio sente o tão desejado aquecimento da economia prometido em campanhas políticas. Lá pelas dez da noite muitas eleições já estão definidas. Hora de comemorar, pegar o carro ou a moto, encher o tanque e participar de carreatas. Ir em bares e encontrar os correligionários, gritar, pular, beber e comer. Na manhã seguinte, ainda no clima da eleição, comprar jornais e revistas para saber com mais detalhes os números eleitorais. O comércio agradece e diz: Vota Brasil!
