Dia 19 de setembro de 2014, completa 100 anos o engenheiro agrônomo Fernando Penteado Cardoso. Nasceu, portanto, em 1914, em plena turbulência da primeira guerra mundial. Desde a infância destacou-se pela habilidade intelectual e pelo desempenho escolar: foi sempre o primeiro aluno em todos os cursos. Matriculou-se na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) em janeiro de 1933 e em 25 de janeiro de 1934 era aluno da ESALQ quando a Universidade de São Paulo foi fundada, sendo, portanto, a ESALQ uma das unidades fundadoras da USP que neste ano está comemorando 80 anos. Formou-se em engenheiro agrônomo em 1936, como primeiro aluno da turma, com uma das melhores médias conquistadas até hoje.
No começo de sua vida profissional os tempos eram difíceis e a agricultura precária, porém ele sempre continuou estudioso e atento aos problemas que aumentaram com o início da segunda guerra mundial; grandes dificuldades que, para serem superadas, exigiram grande esforço e dedicação e, principalmente, uma visão diferenciada.
Empreendedor nato, em tempo de grande crise, vendo a necessidade de fertilizantes para o desenvolvimento da agricultura, sempre com o foco na fertilidade e na conservação do solo, foi um dos pioneiros em trabalhos práticos em conservação do solo. Publicou trabalhos sobre o assunto na década de 30: a Seção de Conservação do Solo do Instituto Agronômico em Campinas foi implantada em 1943. Falamos da década de 40, quando as culturas de destaque no Brasil eram, principalmente, café, cana, algodão e cacau, e a produção de alimentos com baixa produtividade.
As terras esgotadas após anos de cultivo exigiam especial empenho quanto a reposição de nutrientes. A guerra cortara importações, restringindo os adubos ao farelo de algodão, aos ossos e resíduos animais, e às cinzas, tanto de café como das tortas oleaginosas, após a extração do óleo comestível.
Com especial empenho e com suprimento de cinzas ricas em fósforo, potássio e micronutrientes, formulavam um produto excepcional para a penúria dos tempos de guerra.
Durante cinco anos utilizaram antigos armazéns desativados em Descalvado, moendo, misturando com rodo e enxada, peneirando em telas inclinadas, ensacando a pá, pesando, costurando, empilhando e carregando a mão e braços numa operação primitiva, porém acompanhada por controle analítico para assegurar qualidade e respeitar as garantias anunciadas.
Em dezembro de 1947, Cardoso e Camargo com algumas economias, fundaram a MANAH S.A. (fertilizantes e gado de corte), com 14 acionistas: os dois fundadores, oito membros de suas famílias, três componentes de suas equipes e o dono de uma modesta casa bancária que já os financiava. O Grupo Manah cresceu e acompanhou o desenvolvimento da agricultura brasileira, “MANAH” foi reconhecida como marca “NOTÓRIA” e “ADUBANDO DÁ” tornou-se um slogan gravado no subconsciente de milhões de brasileiros.
O crescimento populacional e a necessidade de maior produção de alimentos aumentaram os desafios para os profissionais das ciências agrárias. Nos anos 70 assistimos à Revolução Verde de Norman Borlaug, com a obtenção de variedades capazes de responder à adubação.