Ocultadas por trás de um elevado número de documentos falsos, as fraudes estão cada vez mais complexas, invisíveis até aos olhos dos auditores.
A evolução das fraudes ocorrida mundialmente nas empresas públicas e privadas tem ocasionado perdas substanciais nos seus patrimônios, o que me fez, num artigo recente, escrever sobre a verdadeira responsabilidade do auditor independente.
Dizem as normas brasileiras de contabilidade que “o auditor não é responsável, nem pode ser responsabilizado, pela prevenção de fraudes ou erros. Entretanto, deve planejar seu trabalho, avaliando o risco de sua ocorrência, de forma a ter grande probabilidade de detectar aqueles que tragam efeitos relevantes nas demonstrações contábeis”.
Neste artigo, nossa pretensão é a de tentar, de forma mais contundente, investigar e evidenciar o inter-relacionamento da auditoria externa e o fenômeno fraude ou corrupção, tema tão debatido nos últimos tempos. Mais do que isso, tentar programar, para o futuro, uma forma de utilizar o profissional auditor como elemento estratégico para minimizar as fraudes nas organizações.
Com base em pesquisas na área de auditoria, existe uma pré-disposição em nível nacional e internacional em burlar leis, normas, sobretudo no caso aqui debatido, as não conformidades ocasionadas nos valores considerados nas demonstrações contábeis, por meio de embaraços de alta complexidade, ocasionado fraudes de forma generalizada nas empresas.
ABANDONO DA RESPONSABILIDADE - E o mais interessante de tudo isso é que, embora a fraude sempre tenha sido um ato ilícito, claro que em menores proporções, nunca foi tão acintosa como nos dias atuais, sendo, portanto, objeto de tanta investigação. Ou ainda ter se tornado comum se deparar com constatações em empresas de grande porte, principalmente, em empresas públicas, conforme tem sido observado via mídia e na própria conjuntura econômica e política nacional. Mais notório ainda é que, historicamente, e coincidentemente, o elevado índice de fraudes iniciou-se com o abandono da responsabilidade na sua detecção pelos auditores quando da regulamentação da profissão.
Uma pesquisa realizada há algum tempo mostrou que, entre 150 empresas com faturamento entre R$ 50 milhões e R$ 5 bilhões, 80% delas reconheceram que sua organização havia sido afetada por fraude, e dessas, dois terços acredita que o nível de fraudes continuaria aumentando nos próximos anos (o que de fato vem ocorrendo). Isso aponta que muita dessas empresas não mantém controles adequados e eficientes, capazes de inibir tal ilicitude.
O NOVO PERFIL DAS FRAUDES - Cobertas por elevado número de documentos falsos, as fraudes estão cada vez mais sofisticadas, bem elaboradas e complexas de se descobrir, onde nem mesmo o próprio contador é capaz de se atentar. Somado a isso, o perfil das fraudes, principalmente as ocorridas no Brasil, tem sofrido alterações em suas características. Antes, ela era feita por um único indivíduo. Hoje, passou para uma atuação em grupo com formação de verdadeiras quadrilhas. A fraude passa a representar nos dias atuais, principalmente em organizações públicas, um elevado obstáculo à sua credibilidade, porque não dizer, de sua sobrevivência, vez que a situação é tão vertiginosa que algumas empresas sequer têm publicado seus balanços no prazo estabelecido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).