Há alguns anos, a utilização de fungicidas para o manejo de doenças na cultura do milho era restrita a campos de produção de sementes e de milhos especiais, como milho pipoca e milho doce. Nos últimos anos, entretanto, tem-se verificado um aumento gradativo da utilização de fungicidas em lavouras comerciais destinadas à produção de grãos. Esse fato não se restringe apenas à realidade brasileira. Nos Estados Unidos, maior produtor mundial de milho, situação semelhante vem sendo verificada.
Fatores como aumento da incidência e severidade das doenças - resultantes, principalmente, do atual sistema de produção baseado na utilização do plantio direto, sem rotação de culturas, da ampliação das épocas de plantio (safra de verão e safrinha), da elevação dos preços nos mercados interno e externo e do forte marketing exercido pelas empresas multinacionais que comercializam tais moléculas - podem explicar, em grande parte, o aumento do uso de fungicidas nessa cultura.
A elevação dos níveis de produtividade em lavouras de milho, atribuída à inclusão das aplicações de fungicidas no sistema de produção, tem sido relatada por parte de produtores, cooperativas e fundações em várias regiões produtoras do Brasil e de outros países. Incrementos acima de 25 a 30 sacas/ha têm sido mencionados. Resultados experimentais obtidos por instituições de pesquisa no Brasil e no exterior têm confirmado os efeitos positivos da aplicação de fungicidas na redução de perdas na produtividade ocasionadas pelo ataque de doenças. Esses resultados têm sido, normalmente, visualizados como incremento de produtividade em relação a áreas não pulverizadas.
No entanto, outro aspecto de extrema importância detectado em tais estudos tem sido a significativa instabilidade na obtenção dos aumentos de produtividade pela utilização de fungicidas, ou seja, não tem havido repetibilidade desses ganhos quando consideradas variações em fatores como cultivares, pressão de doença, sistema de produção e nível tecnológico empregado. Além disso, em algumas situações, mesmo havendo uma resposta positiva em aumento de produtividade, estes podem não ser suficientes para garantirem retorno econômico. Esses fatores têm levado à formação de opiniões favoráveis e contrárias sobre a necessidade e a viabilidade da utilização de fungicidas em milho.
No processo de tomada de decisão sobre a pulverização das lavouras de milho com fungicidas, alguns pontos devem ser considerados. O primeiro deles, e talvez o mais importante, é o reconhecimento criterioso das principais doenças que predominam nas lavouras tanto em nível de região como, também, em nível de propriedade. Esse ponto assume grande importância uma vez que influencia a tomada de decisão sobre outros fatores, como a escolha de cultivares e fungicidas a serem utilizados. Nesse aspecto, o monitoramento periódico da lavoura para a ser de fundamental importância por fornecer informações precisas sobre o estado fitossanitário das plantas.
O segundo fator a ser considerado é o nível de resistência apresentado pela cultivar a ser plantada. De modo geral, os maiores benefícios advindos do uso de fungicidas em milho ocorrem nas situações em que coincide a utilização de cultivares suscetíveis e de forte pressão de doenças. Considerando que o principal efeito da aplicação desses produtos na produtividade da cultura advém da melhoria no aspecto sanitário das plantas - atualmente já se comenta sobre aumentos de produtividade devido ao efeito fisiológico de alguns produtos - não é recomendada a aplicação de fungicidas quando são utilizados genótipos que apresentam nível satisfatório de resistência às principais doenças.
Esse tipo de informação, específica para cada cultivar, deve ser, necessariamente, fornecida pela empresa responsável pela comercialização das sementes. Atualmente estão disponíveis no mercado híbridos que apresentam elevada sanidade e bons níveis de produtividade. Isso reforça a importância da escolha correta da cultivar a ser plantada. Além desses fatores, informações como condição de clima durante o ciclo da cultura, época de plantio, cultura anterior e sistema de plantio devem ser consideradas, pois influenciam, de forma direta, o potencial de inoculo dos principais patógenos que atacam o milho.
Sendo detectada a necessidade da aplicação de fungicidas, pela análise conjunta dos fatores acima mencionados, o próximo passo é a escolha correta do produto a ser aplicado. Atualmente, existem cerca de 10 produtos, todos à base de triazóis, estrobilurinas e misturas destes, registrados no Ministério da Agricultura para as principais doenças da cultura do milho. As informações sobre a eficiência desses produtos são abundantes na literatura especializada, em revistas e em sites da internet.
Finalmente, a crescente preocupação mundial com questões relacionadas à segurança alimentar e, por outro lado, o elevado risco de surgimento de populações de patógenos resistentes a esses fungicidas preconizam a necessidade de uma utilização racional e otimizada dessa importante ferramenta de manejo de doenças.