Enio Giotto, mestre em engenharia agrícola e professor da Universidade Federal de Santa Maria, RS, explicou em sua apresentação que o georreferenciamento surgiu a partir da necessidade das empresas potencializarem sua logística através dos dados da produção que antes eram transferidos para o governo, sem o aproveitamento.
A geomática é a ferramenta utilizada para o georreferenciamento, que permite que empresas, estado e países demonstrem com transparência e agilidade instantânea todo o sistema de proteção praticado na avicultura. Pode-se demonstrar virtualmente e on-line tudo que está sendo feito em biossegurança nos plantéis. Através da localização por satélite, é possível mensurar a quantidade de aves de uma determinada região.
Giotto lembrou que quando foi descoberto o último caso de Newcastle no Rio Grande do Sul, no município de Vale Real, o Ministério da Agricultura entrou em contato com a UFSM solicitando informações sobre a região afetada que já havia sido georreferenciada. “Em 15 minutos informamos para os técnicos quais granjas estavam localizadas na zona tampão. Em tempo recorde as propriedades foram notificadas e interromperam o abate”, afirma ele.
Sadi Domingos Marcolin, da empresa Aurora, que também participou da apresentação, explica que o georreferenciamento pode ser aplicado na defesa sanitária, no desempenho zootécnico, no controle de pragas na propriedade avícola e também na logística de empresas, para auxiliar no alojamento e transporte de ração.
“Em Santa Catarina 100% da avicultura industrial está georreferenciada. É uma ferramenta essencial para mensurar as granjas. Desta forma podemos controlar com mais atenção as granjas localizadas em pontos de risco, próximas a lixões ou lagos, por exemplo”, afirma Domingos.
Para justificar a importância do georreferenciamento, o palestrante explica que o único fato capaz de prejudicar o crescimento da avicultura são os problemas sanitários, que podem ser controlados com esta ferramenta.
Por fim, Sadi Domingos fez um alerta: “a avicultura de subsistência também precisa ser georreferenciada. Seria muito difícil proibir a avicultura de subsistência. No entanto, o governo pode atuar no sentido de não fomentar as criações domésticas em áreas onde a avicultura industrial é importante”.