Lavoura de baixo investimento = lavoura de baixo rendimento.
Solon C. de Araujo
SCA Consultoria e Treinamento Ltda.
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Nesta fase em que os preços dos produtos agrícolas estão em baixa e que coincidiram com seca e baixa produtividade em algumas regiões, o desânimo se abate sobre o setor agrícola. Embora algumas culturas, como café, laranja e cana de açúcar estejam com bons rendimentos, as demais geram insegurança sobre o próximo plantio. E nestas ocasiões vemos com freqüência agricultores falando em implantar uma lavoura de baixa tecnologia, ou de baixo uso de insumos. Em parte desmotivados pelos baixos preços de seus produtos, em parte levados a isto pela baixa capitalização e pequeno financiamento para a agricultura, o plantador toma a medida que, ao invés de retira-lo do mau momento, vai coloca-lo ainda mais em uma situação difícil, talvez até inviabilizando sua permanência no ramo do agronegócio.
Se quisermos que um boi, um suíno ou um frango engordem, o que fazemos? Aumentamos a oferta de comida. Se desejarmos que uma vaca produza mais leite ou uma galinha produza mais ovos, fazemos o mesmo, administrando os nutrientes de modo a obter o máximo de produtividade com rentabilidade. No caso da planta, muitas vezes esquece-se que ela vai produzir na mesma proporção em que dermos as condições ótimas de produtividade: preparo de solo adequado, nutrientes na medida certa, tratos culturais e combate às pragas conforme as recomendações técnicas.
Se não fizermos isto, vamos ter uma cultura de baixa produtividade, que não vai remunerar adequadamente o agricultor, aumentando suas agruras financeiras e não permitindo que ele retome seu processo de capitalização. Desta forma, a decisão pela lavoura de baixa tecnologia é uma decisão errada, ilusória, pois, se de um lado o investimento é baixo, por outro o rendimento também o é. E isto vai gerar um círculo vicioso, no qual o agricultor vai ficar preso, sem poder aumentar seus ganhos. Muitas vezes, se não se conseguir todo o capital necessário para um plantio correto, é melhor reduzir a área, plantando menos, e bem plantado, do que muito e mal conduzido.
Nestas horas de crise é que se reconhece o verdadeiro empreendedor, o que acredita em seu negócio e tem confiança em sua capacidade. Este vai denodadamente em busca de financiamento, de novos tipos de negociação com os fornecedores, viabilizando uma lavoura tecnicamente conduzida, com perspectivas de elevada produtividade, gerando ganhos que vão permitir abater os prejuízos anteriores e retomar o caminho de uma atividade lucrativa.
No momento em que sem implantar a mentalidade de um planejamento estratégico na atividade agrícola, estas decisões serão mais facilitadas, pois tanto as situações boas como as más estarão com certo grau de previsibilidade, evitando que se tomem decisões apenas para remediar situações circunstanciais, o que leva a caminhos que muitas vezes não são os mais corretos.