Esta lei, assim como a gravidade sempre prevalecerá, ninguém pode revogá-las.
A tendência de todos que produzem é produzir o que tiver mercado mais garantido e com preços melhores, não existem milagres quando o assunto é dinheiro.
OLEO DE MAMONA COMO BIODIESEL
O preço do óleo de mamona é hoje da ordem de R$3,60 / litro, ou seja 1 litro de óleo de mamona custa mais que o dobro do litro de óleo diesel na bomba.
O óleo diesel na refinaria custa cerca de 60% do preço de venda na bomba, consequentemente o óleo de mamona custa cerca de 3 vezes o preço do óleo diesel, lembrar ainda que o óleo de mamona necessita ser adicionado ao óleo diesel por um processo químico que envolve insumos, máquinas, mão de obra e tempo, o que eleva ainda mais o seu preço final.
Desta forma o óleo de mamona necessitaria de um subsidio 3 vezes maior que o preço do diesel para ser usado como combustível , o que não se justifica numa economia livre.
A propaganda sobre óleo de mamona como combustível automotor não passa de propaganda enganosa por parte do governo federal.
A redução do preço do óleo de mamona a níveis utilizáveis como combustível é praticamente impossível devido à enorme demanda deste óleo para finalidades que podem pagar mais, seus usos vão desde sua aplicação na indústria de cosméticos até no tanque de aeronaves como anticongelante.
BIOENERGIA x ALIMENTO
O maior consumo de combustível do planeta está nos Estados Unidos que para produzir o etanol usa o milho, que por sua vez é o segundo produto agrícola mais consumido como alimento no mundo.
O mercado do milho sofrerá uma profunda mudança no mundo inteiro com os Estados Unidos atuando como forte comprador elevando o seu preço a alturas imprevisíveis e com conseqüências mais do que previsíveis.
Os preços de todos os alimentos sofrerão uma pressão para cima de conseqüências também extremamente previsíveis e altamente prejudiciais para toda a humanidade, especialmente para os povos de regiões mais pobres, apesar do governo brasileiro negar isto.
O milho é usado na alimentação humana e de animais, desta forma aumentarão também os preços das carnes suínas, bovina e de aves; bem como ovos e leite.
O meio ambiente também será extremamente prejudicado visto que o mundo inteiro se voltará para a produção de milho ou sucedâneos implicando isto na derrubada de florestas com conseqüências também previsiveis.
O governo brasileiro divulga as excelências da bioenergia incentivando o plantio da cana de açucar, porém não se preocupa com as conseqüências nem tão pouco de como contornar o problema.
Recentemente viajando por S.Paulo vi fruteiras na chácara de um amigo em Piacicaba dando lugar ao plantio de cana, segundo ele o dinheiro da cana dará para pagar com folga a compra de frutas – ele não explicou onde vai encontrar frutas pelo preço de hoje.
Um dos grandes problemas do Brasil é que os ministros da agricultura deveriam ser designados por MINISTROS DA AGRICULTURA DO SUL,SUDESTE E SUDOESTE , estes senhores não conhecem nem tomam conhecimento do nordeste.
Este problema é genérico, observe-se que até no Globo Rural é insignificante o número de reportagens sobre o nordeste é insignificante quando comparado ao de outras regiões.
Todos sabem que milho é saboroso e alimenta, é correto afirmar-se que 95% dos brasileiros nunca ouviram sequer a palavra ALGAROBA , eu já ouvi confundirem esta palavra com albacora(atum).
O problema da falta de milho e de sua elevação de preço necessita ser atacado de imediato e o Brasil tem como minimizar pelo menos em parte este problema e esta será a hora e a vez do semiárido nordestino, basta o governo criar uma linha de crédito para culturas adaptadas ao semiárido igual à que criou para produção de álcool.
A algaroba ( prosopis juliflora ), é uma planta originária dos desertos do Peru, portanto vem de regiões áridas, cujas condições climáticas são mais duras que as do nosso semiárido.
As primeiras sementes chegaram ao Brasil no início da década de 1940 e por ordem do então governador de Pernambuco, Dr. Agamenon Magalhães e foram plantadas na Estação Experimental de Serra Talhada no alto sertão daquele estado, eram apenas 34 sementinhas, das quais germinaram apenas 15.
Esta planta tem inúmeras vantagens, dentre elas as mais importantes são a sua alta resistência à seca; a possibilidade de substituir grande parte do consumo do milho tanto na alimentação humana como na animal; sua madeira pode ser usada tanto na construção civil como na construção de cercas sem prejudicar a vegetação nativa; pode ser consorciada com outras plantações (palma forrageira, capim buffel e outras resistentes à seca).
A algarobeira produz bem com uma precipitação pluviométrica a partir dos 400 mm anuais(mesmo que a distribuição da chuvas seja irregular).
A seguir alguns dados comparativos entre o milho e a algaroba:
A vagem da algarobeira contem em média:
Umidade: 17 %
Proteina da vagem: 13 %
Açúcares: 43 %
Fibra bruta: 19 %
Resíduo mineral: 4 %
Extrato etéreo: 4 %
Milho em grão contem em média:
Umidade: 11 %
Proteínas 10 %
Hidratos de carbono 71 %
Gorduras 4 %
Celulose: 3 %
Resíduo mineral 1 %
Fontes: Forragens Fartas na Seca - Pimentel Gomes – Editora Nobel
Observe-se que em todos os ítens a algaroba supera o milho.
As restrições ao seu uso são contornáveis.
Algarobeira – Produção média
Em solos de boa fertilidade, com bom trato cultural, no espaçamento de 10 x 10m, com 100 algarobeiras adultas, a produção de vagens pode chegar a 6 ton/há x ano. Ela é perene, não morre na seca, frutifica a partir dos 2 a 3 anos , tendo melhor produção entre os 5 a 20 anos. Frutifica melhor em altitudes entre 300 e 1.200 m e latitudes baixas.
O consumo exclusivo no coxo, deve ser evitado, como tambem se faz com o milho.
É muito mais barato produzir algaroba, do que milho, sorgo ou mandioca.
A algaroba é tambem utilizada na alimentação humana. Torrando-se as vagens e caldeando com açúcar, obtem-se uma bebida semelhante ao café, com maior teor de proteínas e ausência de cafeína.
Com as vagens trituradas e misturadas com farinha de milho, obtem–se farinha para cuscuz, biscoitos, pão e bolo.
Pode-se tambem obter um melado utilizado como adoçante que pode substituir o açúcar.
O seu custo de produção é baixíssimo a partir do preço das terras, as terras da caatinga custam dezenas de vezes que as terras em regiões adequadas ao plantio de milho (que exige precipitações pluviométicas acima de 1.000 mm bem distribuídos ).
Por ser perene não necessita replantio todos os anos.
A seguir algumas aplicações para a algaroba:
Alimentação humana:
- A farinha é utilizada na fabricação de pães, bolos, cuzcuz
-Um hectare de algaroba chega a produzir cerca de 400 kg de mel de abelha, portanto excelente opção para a apicultura migratória.
-Permite a obtenção de uma beberagem similar ao café(sem cafeína), vinagre e outros.
-Bebidas – licor, aguardente.
Alimentação animal:
- Rações para aves, suínos, caprinos, ovinos, bovinos, substituindo-se parte do milho por algaroba.
Construção civil:
- caibros, ripas, taco, portas e janelas, mourões para cercas e outros.
O governo federal necessita fazer um mapeamento das regiões adequadas e incentivar o seu plantio através de esclarecimentos e financiamento.
O nordeste não necessita de transposição do Rio S.Francisco, necessita do incentivo à culturas que possam conviver com o clima porque esta história de combate à seca é coisa do passado, do tempo em os retirantes viajavam para o sul em pau-de-arara.
A seguir alguns links com mais informações:
www.ct.ufpb.br/laboratorios/lpfd/algaroba.htm
www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?data%5Bid_materia_boletim%5D=5454
www.seagri.ba.gov.br/noticias.asp?qact=view&exibir=clipping¬id=1366
http://www.agecom.ba.gov.br/exibe_noticia.asp?cod_noticia=11848