Participei na última quinta-feira (13/09/12), em São Gabriel do Oeste-MS, do fórum "Riscos e consequências do mercado em alta”, o terceiro do Projeto Soja Brasil, uma parceira da Aprosoja Brasil com o Canal Rural. A grande expressão que definiu o momento que vive o setor agrícola brasileiro foi: “muito mais oportunidades do que riscos”. Mas também foi unânime que para tornar essas oportunidades um a realidade é preciso cautela e planejamento neste mercado marcado pelo dinamismo.
Além do apresentador João Batista Olivi, participaram comigo no debate Flávio França Júnior, economista e diretor de Produtos de Safras & Mercado; Liones Severo Correa, gerente comercial da empresa Chinatex; Eduardo Riedel, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul); Venilson Ferreira, repórter da Agência Estado.
Segundo Flávio França (Safras&Mercados) e Liones Severo (Chinatex), a próxima safra(2012/13) será baseada na solidez dos fundamentos do mercado e que por isso não haverá espaço para grandes variações nos preços internacionais, o que significa preços acima da média histórica.
Neste momento de euforia, tenho defendido que a quebra de safra norte-americana, que relatei recentemente em meus artigos, beneficiou o produtor brasileiro, mas deve servir também como uma lição de que precisamos buscar nossa capitalização. Uma hora essa euforia acaba e tudo o que não precisamos é ver produtores do nosso país caindo em endividamento por falta de um planejamento adequado.
Os produtores norte-americanos que entrevistamos na semana retrasada estavam felizes, apesar da queda. Primeiro porque tem um seguro efetivo, mas porque souberam aproveitaras últimas três safras para fazerem provisões e isso faz toda a diferença agora.
Nos Estados Unidos os produtores conseguem se manter bem mesmo em meio a uma crise,enquanto no Brasil não temos logística adequada, temos o frete mais caro do mundo, e não temos uma cultura de capitalização e isso precisa mudar. Quando vem essa boa fase é hora de planejar e não de se endividar com mais investimentos.
Em outro momento do fórum foi colocada a preocupação da desaceleração da economia chinesa que importa 60% da soja mundial. Porém, Liones Severo minimizou as preocupações e para isso citou os grandes números da população chinesa, consumo de carnes e grãos. Ele pontuou que o mercado continuará aquecido já que a China não reduzirá seu potencial de compra do nosso produto.
Do montante comprado pela China, 25% corresponde ao produto brasileiro. Porém, novamente acautela: a Ásia e a Europa, além dos Estados Unidos mesmo com a quebra de safra, são grandes produtores, e o que pode acontecer é que outros países reduzam o consumo do produto, o que notei na leitura dos últimos números do relatório do USDA do dia 12 de setembro. Aí é onde mora o perigo que falo, nãopodemos achar que vamos manter esses bons preços por tempo indeterminado.
Um ponto crítico colocado em discussão foi com relação aos produtores de proteína animal. Com os preços do milho e soja em patamares recordes, o custo de produção do setor de aves e suínos já subiu 30% desde janeiro e isso pressiona os preços do produto com a possibilidade de uma redução do consumo de carnes mais adiante.
Isso significa que a tendência é de que o mercado se autorregule, uma redução no consumo de soja e milho significa reposição de estoque e queda de preços adiante.
Mas uma coisa é certa, o brasileiro aprende com as crises e com o nosso setor não foi diferente, como destacou o presidente da Famasul, Eduardo Riedel. “O nível de conscientização aumentou muito entre os produtores, que aprenderam a perceber de maneira mais cautelosa o mercado e se profissionalizaram”.
Para Venilson Ferreira, essa mudança é nítida. O jornalista destacou que isso fica claro na mudança de representação, com os produtores mais organizados, mobilizados, com presença marcante em Brasília.
De uma coisa temos certeza, confirmadas as projeções de atingirmos mais de 82 milhões de toneladas de soja na próxima safra, com comercialização antecipada de 40%, o produtor brasileiro deve ter um dos maiores rendimentos dos últimos anos. Porém, se capitalizar e fazer provisões para anos de crise é a melhor forma de preservação do seu próprio negócio.
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