Poderia-se até dizer que o governo acertou uma, quando anunciou o lançamento dos contratos de opção para a safra de milho de verão. Poderia. Mas novamente parece que os cálculos de custos, se é que foram feitos, consideraram apenas os custos dos insumos, desprezando-se depreciação, uso da terra, salários e principalmente desconsiderando-se qualquer margem de lucro para o produtor
Propala-se aos quatros ventos que o preço de garantia do milho na faixa de R$ 10,00 será a salvação da lavoura. Isso ou è puro marketing ou total desconhecimento da condução econômica da lavoura. Não se discute a validade dos contratos de opção. Óbvio que essa opção representa um grande avanço inovador na sistemática de comercialização agrícola. Discute-se, isso sim, sua montagem e viabilidade nos patamares anunciados.
Em primeiro lugar deveria-se estar, nesse momento, anunciando-se planos para o milho safrinha 2002 e não para a safra de verão visto que muitos produtores já efetuaram reservas ou mesmo já adquiriram sementes para a próxima safrinha de milho. Quanto a safra de verão, essa já foi definida em junho. Portanto estamos com atraso de uma safra.
Quanto ao preço de garantia de R$ 10,00, esse , como de praxe não garante sequer os custos de produção, quanto menos garante alguma margem de lucro para o produtor.
Ressalte-se que ao se falar em R$ 10,00 a saca de milho, entende-se que o produtor receberá algo em torno de R$ 8,70 a saca. Isso quando falamos em vendas do produtor para a cooperativa( preço de mercado). Em se tratando de contratos de opção esse preço ainda será menor, pois as cooperativas sobretaxam as normalmente já salgadas taxas de recepção em percentuais que podem chegar em 155%. Dessa forma podemos contar com algo em torno de R$ 8,20 por saca de milho como preço final.
De qualquer forma a agricultura passa a contar com uma nova arma que são os contratos de opções. Não dá para ganhar a guerra apenas com ela, mas já è alguma coisa. Sugiro aos burocratas e aos engravatados representantes dos agricultores e agroindustriais que quando forem discutir preços de incentivos principalmente para o milho, em vez de complexas planilhas de custos, ou o chutömetro utilizem tão somente a velha e boa formula de rentabilidade caipira que expressa a seguinte equação 1 arroba de boi=2 sacas de soja=4 sacas de milho, essa é uma equivalência aceitável. Hoje, apenas como curiosidade, essa relação está na seguinte proporção-
1 arroba de boi=1,75 sacas de soja = 4,9 sacas de milho.
Portanto como produtor rural, nessa safra vou plantar o que puder de soja, se por algum problema qualquer, não puder plantar tudo em soja, acho que vou engordar alguns “tucuras”. Quanto a plantar milho? Só na safrinha. Por falta de opção.
Temas:

