O TEMPO E A TECNOLOGIA
Ainda ontem, lá na minha fazenda, sentado em baixo da minha arvore favorita, pus-me a pensar em como evoluiu a agricultura nos últimos trinta anos.
Recordei-me, por exemplo, de quando chegou na minha região a primeira colheitadeira, na época chamada de automotriz. Era uma SLC 1000, a famosa “milzinha”. Aquilo era demais, quem é da lavoura e já trabalhou com uma trilhadeira sabe muito bem o que aquela maquina significava. Hoje, no campo, vemos colheitadeiras portentosas, cabinadas, ar climatizado, plataformas de 18 ou sei lá quantos pés. Acredito que em pouco tempo teremos essas maquinas bastante computadorizadas. É de cair o queixo.
A respeito de tratores, quase não precisamos nem recordar o grande progresso. Há poucos anos se o trator tivesse freios e sistema hidráulico já estava bom demais. Estive esses dias em uma revenda de tratores aqui em Maringá e fui experimentar um trator que até não é lá dos mais modernos, mas confesso que ao dirigi-lo senti-me o próprio Michael Schumacher, com sua Ferrari, voando pela fórmula 1. É de cair o queixo.
Que beleza, eu agricultor, aqui na minha fazenda, sentado na sombra de minha arvore favorita, escrevendo essas linhas em meu Laptop Texas 900, olhando o solo coberto de palha, esperando para ser plantado. Não senti saudade alguma de grade, arado, nem do plantio convencional. Ë de cair o queixo.
Estou pensando agora, nas variedades de soja que irei plantar, em cima dessa bela palhada de um híbrido simples modificado de milho, que me rendeu quase 6.000 kg/ha. Isso na safrinha de inverno. Quem sabe plantarei nesse talhão a Embrapa-48, ou talvez a Codetec 201, variedades melhoradas, adaptadas, modernas, variedades que me permitem rir dos agricultores norte-americanos com seus subsídios, protecionismo, transgênicos e demais trambicagens.
É de cair o queixo. De tanto rir.
Até o crédito agrícola, sempre entranhado e entrevado nos meandros da burocracia estatal, me surpreende. O gerente da minha agência bancária me disse que o meu custeio para a safra de verão sairá nos próximos dias, antes de 30/09. É realmente de cair o queixo.
E quanto aos herbicidas, os chamados insumos modernos. Bem quanto a isso fiquei muito impressionado, quando conheci o tal de Treflan, o conhecido “mata-mato”, isso lá pela década de 70. Foi uma coisa incrível. A gente até destruía o solo com grades para aplicar tal coisa.. Depois disso, gostei muito do Roundup, coisa mais moderna, permitia o plantio direto( precursor do plantio na palha). Substituía um outro produto altamente tóxico, de contato, ineficiente. Fiquei exultante lá por 1982, quando foi lançado um graminicida seletivo, para culturas de folhas largas, pós - emergente, sem muita limitação de estágio para algumas ervas, o Poast. Pensei comigo: O que teremos daqui para a frente, nesse campo? Bem, para resumir, o meu queixo não caiu mais, pois a partir daí, e lá se vão quase vinte anos, o que tivemos? Nada mais que similares, cópias, produtos mudando de nome comercial, produtos sendo misturados, para, quem sabe “quebrar um galho”, alguns produtos novos, sem maiores impacto tecnológico, tivemos até empresas especializadas em vender velhos produtos com novos nomes, porém nada mais de cair o queixo. Estagnou. De novo mesmo, os trangênicos, coisa ainda um pouco dúbia, merecedora de estudos de viabilidade financeira mais profundos(o que você economiza em herbicidas, você gastaria em sementes, que talvez não tenham a mesma produtividade das variedades normais). Parece que acabou a criatividade das multinacionais dos agroquímicos , tão corporativas, tão globalizadas. Mas tenho fé de que em breve, teremos, nesse campo um novo marco, uma evolução. Ou devo esperar que venham me vender espelhinhos brilhantes, contas coloridas, apitos, pano vermelho e etc. Em dólares. Naturalmente.
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