Na década de 90, o melão foi a fruta brasileira que mais crescem em volume de exportação: saltou de 7 mil para 50 mil toneladas por ano. Nos próximos anos, o potencial de crescimento dessa fruta no mercado não parece estar estancando. A abertura de janelas de comercialização no mercado europeu deve manter os negócios com essa cultura aquecidos. A associação Nacional Espanhola de Cooperativas (Anecoop), que detém de 10 a 15% do mercado de frutas e hortaliças na Europa, já tem manifestada a pretensão de importar mensalmente 500 t de melão brasileiro.
É bom que se diga que não é com qualquer fruto que os produtores brasileiros irão incrementar seus negócios. Em primeiro lugar, a Anecoop tem preferência, sobretudo, pelos melões cultivados no Vale do São Francisco, - especialmente na região do município de Juazeiro – BA. Aí, se produz uma fruta com melhor sabor devido a uma combinação de boas condições climáticas e aos solos calcáreos dos tipos Vertissolo e Cambissolo, ricos em cálcio e magnésio.
Em segundo lugar, o padrão de consumo na Europa determina que os sistemas de produção brasileiras busquem inovações tecnológicas. Lá, os consumidores preferem os melões nobres, aromáticos de polpa salmão com bom sabor e maior teor de açúcar. Neste sentido, os melões do tipo “pele de sapo”, “gália” e “charentais” asseguram a oportunidade de expansão da cultura para o mercado europeu. No Brasil, planta-se, principalmente, cultivares do tipo “amarelo”. Deve-se esperar, então, que os brasileiros alterem seus sintomas de cultivo.
E devem fazê-la com a maior brevidade possível se querem assegurar sua participação no comércio com a Europa. Neste continente, o consumo está se ampliando entre os meses de setembro a março. É um período no qual a Espanha, que é grande produtora, não dispõe de melão para abastecer o mercado. Os produtores brasileiros tem a vantagem de colher a fruta em qualquer época do ano. Só que vão enfrentar uma forte concorrência de outros países exportadores, sobretudo da Costa Rica.
A agilidade dos produtores brasileiros não pode prescindir de uma pausa nos centros de pesquisa. Na Embrapa Semi-Árido, por exemplo, há um volume de tecnologias e conhecimentos acumulados capazes de incrementar um grande salto na produtividade e competitividade no agronegócio do melão. A instituição, junto com a Anecoop, e por meio do programa Avança Brasil, do Governo Federal, tem desenvolvido pesquisas e obtidos resultados que atendem em curto prazo demandas dos mercados interno e externo. Alguns dos resultados são bastante expressivos: as produtividades variaram de 31,16 a 56,51 t/ha de frutos comerciais - o que chega a superar a média da região em até 182,55%; Com relação ao teor de açúcar, se obteve índices que variam de 11 a 14,34%.
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