A cebolicultura nacional enfrenta hoje um momento crucial. A globalização da economia mundial e o estabelecimento do Mercusul alteraram de forma significativa o mercado de hortaliças, em especial da cebola. A competição entre os países produtores, como Brasil e Argentina, aponta tendência de acirramento e terão maior participação no mercado, aqueles que têm maiores vantagens comparativas e fizerem modificações nos seus setores produtivos. É cada vez mais claro que somente continuará no mercado, o produtor que se tecnificar, obtiver cebola de qualidade e estar atento às variações no comércio dessa hortaliça.
No contexto do Mercosul, destacam-se como países produtores apenas Brasil e Argentina. A safra nacional tem oferta equivalente às necessidades de consumo do país. A Argentina, por sua vez, tem gerado expressivos excedentes que são importados pelo Brasil. Uma consequência disso é a grande amplitude nos valores pagos aos produtores pelo saco de 20 kg: a depender da oferta, os preços variam de R$ 1,60 a R$ 16,40. É uma variação que compromete a competitividade e a sustentabilidade da cebolicultura brasileira.
Isto afeta, principalmente, os produtores nordestinos da hortaliça e impactam de forma negativa uma grande vantagem da região: a possibilidade de ofertar cebola no mercado, de janeiro a dezembro. As oscilações dos preços, limitam a capacidade de investimentos dos produtores na ampliação das áreas de cultivos e, em especial, na modernização tecnológica dos seus sistemas de produção. Este, em particular, é um problema sério, porque resulta em baixas produtividades e na elevação dos custos da produção da cebola.
Hoje existem tecnologias em centros de pesquisa como a Embrapa Semi-Árido e o IPA (Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária) que podem elevar o rendimento da cebola no Nordeste dos atuais 20.000 kg/ha para até 60.000 kg/ha. Além disso, são poucas as inovações tecnológicas introduzidas nos sistemas de produção instaladas na região. São frequentes a utilização de cultivares inadequadas, falhas na aplicação dos fertilizantes, dos defensivos agrícolas, da irrigação, bem como a ausência de práticas de conservação do solo. É um mix de inadequações, incompatíveis com a estrutura competitiva que está dando forma ao mercado de hortaliças.
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