Recente artigo que escrevi sobre sustentabilidade corporativa fez constar a percepção positiva que o próprio mercado sucroenergético possui para que tenha um futuro promissor no que tange à sua potencialidade de expansão. Disse também que isso equivale à abertura de largas oportunidades para a evolução setorial e que as empresas que estiverem mais preparadas e organizadas para os desafios futuros serão as que obterão sucesso com a progressão do setor. É certo que não basta possuir planos de gestão e estratégico se eles não forem colocados em prática. Isso requer austeridade e transparência.
Aliado a esta expectativa de gestão e estratégia, hoje, não iremos tratar de agronegócios. Porém tentaremos mostrar o que pode acontecer quando uma empresa tem estigma para ser empreendedora.
Dias atrás, tive uma grande oportunidade de assistir a uma entrevista (bate-papo) de duas grandes empresárias: Luiza Helena Trajano, do Magazine Luiza, e Chieko Aoki, do Grupo Blue Tree Hotels. Percebi diferenças significativas entre uma e outra, a começar pelo ramo de atividade, sendo uma do setor varejista, e a outra da área hoteleira. Pensam diferente, assim como um médico, um advogado, um engenheiro, e assim por diante, de maneira que ninguém acaba vendo o mundo da mesma forma.
Óbvio. Todos são diferentes. Porém, a única coisa que realmente em que somos iguais é que temos um DNA peculiar. E isso vem de encontro ao que se pode chamar de atitudes e personalidades diferenciadas.
Essas duas grandes empresárias, certamente, no amadurecimento de suas atitudes, conseguem explicar ou dar soluções, fazer perguntas coerentes e dar apoio para que seus executivos possam descobrir, por si só, as soluções e decisões a serem tomadas no dia-a-dia. Elas sabiam onde queriam chegar.
Certo é que ambas empresárias buscaram uma maneira útil e simples para concentrar as suas atenções nos seus colaboradores, clientes, e, concomitantemente, focar nas atitudes e nas condutas que as levaram a atingir seus objetivos.
Percebe-se que o grande desafio de ambas as organizações, Magazine Luiza e Blue Tree, foi focado não em apenas em sua sobrevivência, mas principalmente, na criação de um ambiente alinhado ao futuro. Afinal, ambas empresárias nos mostram que uma organização que aprende a dominar certas disciplinas dispõe de um projeto para uma vida toda. É o que chamamos de princípio da continuidade empresarial.
Nota-se claramente em ambas executivas uma preocupação “extrema” em relação ao estímulo oferecido a seus trabalhadores e ao desenvolvimento e satisfação dos clientes. A competitividade é cada vez mais acirrada. Isso exige uma forte sensibilização de todos os seus executivos, sendo que, cada um à sua maneira, acabará alcançando melhores resultados.
Na contramão disso, alguns administradores, sem generalizar, não conhecem a realidade de seu mercado e tampouco sabem onde suas empresas atuam, desconhecem o perfil dos seus colaboradores e clientes, e por muitas vezes acabam tomando decisões inadequadas nas mais diversas situações de complexidade.
A característica das nossas afinidades com as pessoas necessita, em grande parte, da nossa competência de alcançar adequadamente o comportamento e a experiência do outro. É por isso que as nossas características individuais podem promover ou bloquear o processo perceptivo. Gestores com problemas de relacionamento apresentam dificuldade em perceber os outros e o mundo a sua volta de maneira acurada, sem deformações.
A forma como percorremos o mundo empreendedor deriva dos nossos valores. Eles são componentes de nossos exemplos intelectuais. Valores virtuosos encontram guarida na disciplina, perseverança, respeito, lealdade e honestidade. Se tivermos exemplo de boa qualidade, teremos uma melhor representação da realidade profissional; se estes são de má qualidade, teremos uma visão truncada e deturpada de tudo o que fazemos.