Nesta nova onda em que está entrando a economia de Mato Grosso, algumas questões precisam ser compreendidas, como, por exemplo, o futuro dos financiamentos para a produção. Na história recente do estado, eles vieram do governo federal através de programas de desenvolvimento a fundo perdido para iniciar a ocupação territorial do Centro-Oeste. O Polocentro, destinado a incorporar cerrados à produção agrícola e às pastagens, foi um exemplo. Depois veio a Comissão de Financiamento da Produção, através de preços mínimos. O Banco do Brasil veio depois e, no governo Lula, perdeu essa função. Por razões políticas e ideológicas, foi direcionado para os chamados programas sociais, como MST e Pronaf e deixou de financiar substancialmente a produção econômica de escala.
No vácuo, entraram as chamadas “trades”. Elas financiam e compram antecipadamente a produção. Embora tenham viabilizado a produção, quase mataram os produtores porque são essencialmente capitalistas. O produtor vende pelo preço do momento de plantio e entrega o produto na colheita com o preço lá em cima. As trades nunca perderam, exceto por quebra dos produtores, mas pelo preço, jamais.
Mas também este modelo exauriu. Nesta semana conversando com o deputado federal licenciado Homero Pereira, discutimos o novo modelo. Ele acha que depois que se quebrou o monopólio estatal de seguros através do Instituto de Resseguros do Brasil, as grandes seguradoras mundiais entrarão no Brasil. Mas de forma diferente do tempo em que havia o seguro rural Proagro, que segurava o financiamento. O novo modelo, que é historicamente usado no mundo, financia a produção.
O seguro cobrirá a expectativa de produção, baseado no histórico do produtor. Com esse título de seguro nas mãos, pelo qual pagará algo como 2,5%, o produtor poderá ir a qualquer banco e obter o financiamento. Aqui também se quebrará o monopólio do Banco do Brasil, que é mais cruel do que qualquer banco privado. Com esses recursos, o produtor comprará insumos no mercado a preços livres, sem a atual pressão das trades, que empurram insumos a preços que bem entendem.
O interessante que ainda não se pode avaliar com clareza, porque ainda está no campo das possibilidades, é que atrás dessas grandes seguradoras, virão outros capitais para o setor produtivo. O mercado mundial, como todos sabemos, está demandando alimentos e energia renovável. Mas o sistema tributário brasileiro e a falta de proteção do produtor, transformam a produção em fator de alto risco, apesar do governo precisar urgentemente da produção para ter superávit comercial.
É um momento de mudança muito interessante. Segundo Homero, esse novo modelo de financiamento, somado com o domínio de tecnologia e de produtividade brasileiros, nos darão um imenso espaço nos mercados mundiais nos próximos anos.