Recente estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) confirma aquilo que sabemos há mais tempo. O custo do dinheiro no Brasil é absurdo para os padrões nacionais, impedindo investimentos e barrando o crescimento da economia. E, sem crescimento, não há desenvolvimento que possa ser feito. Na prática, os 16% da taxa Selic que, inclusive, pode ser elevada até o final do ano, não representa o custo real pago pelos empresários nacionais. Para se chegar ao mesmo deve-se adicionar o que o mercado chama de “spread bancário”, ou seja, o adicional cobrado pela intermediação financeira. Este spread estaria hoje em 49,2%, fazendo com que uma empresa que recorra a um banco pague hoje mais de 60% de juros ao ano. Isto ajuda a explicar porque temos um baixo volume de empréstimos e porque investe-se tão pouco em nossa economia. Afinal, não dá para competir com um juro destes e muito menos garantir retorno do empreendimento. Isto explica igualmente porque os bancos brasileiros, num ano de crescimento negativo (-0,2%), como o de 2003, conseguiram, na sua grande maioria, lucros fabulosos a ponto de se tornarem os mais rentáveis do mundo. Apenas no primeiro trimestre de 2004, o lucro das instituições financeiras do país aumentou 17%, pulando de R$ 4,7 bilhões para R$ 5,6 bilhões, segundo o Banco Central. Ou seja, o Brasil continua mantendo o extraordinário paradoxo de sustentar instituições financeiras ganhando cada vez mais, mesmo sem emprestar às empresas produtivas, que geram empregos, impostos e alavancam o real crescimento do país. Junto a isto, a própria ação do governo brasileiro auxilia a complicar as coisas, na medida em que obriga os bancos a recolherem compulsoriamente, ao Banco Central, grande parte dos depósitos à vista e a prazo. Assim, sobra menos dinheiro para emprestar e o seu custo aumenta.

