A geada é um dos elementos climáticos de risco que afeta o desenvolvimento
de plantas. O mecanismo de ação de geadas se expressa com temperaturas abaixo
do ponto de congelamento (Figura 1).
A severidade de danos depende do estádio de desenvolvimento e do teor de umidade
na planta, das características da cultivar, do tempo de duração da geada, da
cobertura de solo, da exposição da lavoura, de correntes de ar e de outras
variáveis. A severidade da geada varia a curtas distâncias na lavoura e é difícil
de ser determinada.
Teores de umidade e de sais na planta
O solo atua como reservatório de calor, estabilizando a temperatura. Os solos
úmidos e compactos são melhores condutores de calor e transferem para a superfície
o calor armazenado durante o dia. Por outro lado, solos secos e descompactados
(aerados) são isolantes térmicos e transferem com dificuldade para a superfície
o calor armazenado, favorecendo a formação de geada.
A concentração de sais nas plantas é importante fator para diminuir a severidade
da geada. Solos com elevados teores de nu-trientes e plantas bem nutridas tendem
a so-frer menos de geada por causa de teores de sais mais elevados no conteúdo
celular, reduzindo seu ponto de congelamento. Plantas com estresse hídrico
apresentam menor teor de água e maior relação sais/água reduzindo seu ponto
de congelamento. Em café usa-se potássio para nutrir melhor as plantas e concentrar
sais na seiva, em períodos de geada, para diminuir os danos.
Cobertura de solo e exposição da lavoura
A exposição da lavoura para o oeste (sol poente) mantém a temperatura mais
elevada na tarde anterior à geada, aquecendo o solo e reduzindo o risco de
congelamento. Por outro lado, na manhã seguinte não haverá exposição
direta de sol e o descongelamento será lento e gradativo. A exposição da lavoura
para o leste tende a apresentar danos mais severos de geadas. A exposição leste
resulta na ausência de aquecimento do solo no entardecer e incidência de sol
já nas primeiras horas da manhã, com descongelamento rápido e danos mais severos
nas plantas.
Figura 1. Geada em trigo.
Os solos cobertos com palhas (Figura 2) refletem os raios solares do dia anterior
e resultam em danos mais severos. O solo nu absorve mais calor durante o dia
anterior à geada. O gado bovino, nas noites frias se reúne em áreas de solo
nu, pela temperatura amena.
Figura 2. Geada em lavoura de trigo sobre palha de milho.
Milho
O dano visual de geadas nas plantas de milho, no primeiro dia,
é de coloração verde-escuro. Nos dias seguintes as partes danificadas tornam-se
marronzeados e claras em função do extravasamento do conteúdo das células provocado
pelo rompimento da parede celular causado pelos cristais de gelo. Sintomas
mais severos aparecem nas extremidades superiores e nas folhas jovens, com
maior teor de água, menor de sais e mais distante da planta (menor reserva
de calor).
Figura 3. Dano de geada em plântula de milho.
Alguns dados indicam que a planta jovem de milho tolera até 50
% de secamento de folhas por geada. Até a fase de seis folhas, o ponto de crescimento
do milho está dentro do solo. A morte de plantas poderá ocorrer se o frio for
prolongado e a temperatura de congelamento atingir o ponto de crescimento dentro
do solo. Em milho o dano aparece na extremidade das folhas jovens (Figura 3).
Trigo e cevada
O trigo na fase vegetativa tolera frios e geadas.
A cevada é mais sensível ao dano de geadas nas fases de crescimento vegetativo
e, principalmente, na fase reprodutiva.
Os danos ocorrem a partir da fase de formação de espiga dentro
da bainha da folha.
A fase mais crítica é a de antese (fecundação) ou floração, quando
a planta libera as anteras. Os sintomas aparecem na morte da espiga (Figura
4) ou na formação do grão (Figuras 5).
Na fase de espigamento é difícil constatar os danos e estimar
as perdas. As espigas e os grãos encontram-se em diferentes fases de desenvolvimento,
dificultando a avaliação a campo.
A gluma (espigueta) do trigo e da cevada mantém a forma e a cor
da espiga por alguns dias, mas o grão pode não se desenvolver mais (Figura 5).
Figura 4. Dano de geada em espigas de trigo.
Para estimar o dano de geadas sugere-se determinar o tamanho dos
grãos na espiga de trigo em vários pontos da lavoura. Uma semana depois examinar
as espigas dos mesmos locais e comprovar o crescimento ou a morte dos grãos
(Figura 5). As espigas mortas pela geada, quando amassadas na mão apresentam
textura esponjosa e o desenvolvimento de grãos paralisado.
Figura 5. Grãos de trigo em desenvolvimento normal (E) e grãos de cevada mortos
(D) oito dias depois da geada.