A política cafeeira no Brasil sempre foi muito ativa e polêmica. Diversos planos de sustentação de preços, que ora eram criticados por produtores, ora por exportadores, e algumas vezes por todos. Como exemplo, confiscos cambiais, cotas de contribuição, planos de retenção e, mais recentemente, programas de opções e Pepro.
O que nunca fica claro nestas situações é até onde estão realmente interesses coletivos ou até onde se disfarçam os interesses maiores em nome da defesa de interesses corporativos. Vejamos o Pepro, lançado no ano passado, com o objetivo de garantir renda aos produtores sem que houvesse a necessidade de compra de produto pelo Governo.
O Programa teve um enorme sucesso do ponto de vista da recuperação dos preços internos, da garantia da solvência dos produtores e do escoamento da produção no mercado. Com efeito, os preços que estavam sendo pagos aos produtores antes do Programa, a R$ 225,00, elevaram-se rapidamente para R$ 260,00, patamar que possibilitou o exercício do direito ao prêmio arrematado em leilões, no valor de R$ 40,00, complementando, assim, os R$ 300,00 do valor de referência — correspondente ao custo operacional médio levantado pela empresa de consultoria Agroconsult, em trabalho que havia sido contratado pelo Ministério da Agricultura.
Nestes níveis, possibilitou-se que os produtores cobrissem seus custos, evitando o aumento do endividamento já acumulado devido à venda abaixo dos custos em anos anteriores. Ao mesmo tempo, com esta remuneração, os cafeicultores rapidamente colocaram a safra no mercado, não deslocando a oferta para a seguinte, conforme comprovado pelos baixos níveis de estoques de passagem.

