Para iniciar, uma pergunta e um convite aos educadores rurais e aos agricultores
Aos educadores: Se na agricultura brasileira e latino-americana temos tão extraordinárias potencialidades para produzir riquezas, em muitas regiões durante os 365 dias do ano, por que temos tantos agricultores tão pobres e por que eles mesmos não conseguem superar sua pobreza? Uma resposta que, devido a sua extraordinária importância, não podemos continuar ignorando é a seguinte: porque ninguém lhes ensinou, concreta e objetivamente, o quê e como devem fazer para gerar mais riquezas e ingressos familiares. Então, se a principal "problemática" é o não saber e o não saber fazer, a principal "solucionática" tem que consistir em proporcionar aos pobres rurais o saber e o saber fazer para que possam ser mais eficientes e mais produtivos. Partindo desta premissa, são os educadores rurais e suas respectivas instituições que devem assumir este desafio de melhorar, de maneira muito significativa, a qualidade e a funcionalidade do nosso debilitado sistema público de educação rural, o formal e o não formal nos três níveis. Entre outras razões, porque os educadores rurais simplesmente não têm a quem delegar esta nobre tarefa. Isto significa que se eles não o fizerem ninguém o fará e seguiremos sendo pobres e subdesenvolvidos rurais; por mais terra, maquinaria, irrigação, créditos, refinanciamentos e perdão de dívidas e subsídios que os governos proporcionem aos habitantes do campo.
Aos agricultores: A Monsanto com a Cargill e a Nestlé com a Fonterra da Nova Zelândia (que é a maior empresa exportadora mundial de produtos lácteos) tiveram que constituir alianças estratégicas para poder fortalecer-se e competir nos mercados globalizados. Algo similar estão fazendo os gigantes econômicos, tais como: os bancos, as siderúrgicas, os fabricantes de veículos e maquinaria agrícola, as indústrias farmacêuticas, as empresas produtoras de fertilizantes, pesticidas e sementes híbridas ou geneticamente modificadas etc.). Se estas gigantescas corporações multinacionais necessitam unir-se para melhorar sua competitividade, como poderão sobreviver economicamente os minúsculos, dispersos e frágeis agricultores, se insistem em seu ancestral individualismo e se recusam a praticar o cooperativismo e o associativismo entre eles?
Nos países da América Latina temos crescentes evidências de que a principal causa do fracasso econômico da maioria dos produtores rurais reside nas ineficiências que eles mesmos e/ou seus empregados, involuntariamente e até sem querer, cometem nas distintas etapas do agronegócio. E, como regra geral, eles continuam cometendo-as principalmente devido à insuficiência, inadequação e obsolescência dos conhecimentos e competências que possuem. Basta visitar as zonas rurais de qualquer país da América Latina para constatar que muitíssimos produtores rurais estão empobrecidos e endividados, não necessariamente porque não tenham acesso a mais terra, mais maquinaria ou animais de produção, e sim porque sua própria mão de obra, sua terra e seus animais têm baixíssima produtividade ou rendimento. E isto ocorre fundamentalmente porque nossas instituições educativas rurais não lhes ensinaram como aplicar, de maneira correta, medidas "eficientizadoras" para aumentar os rendimentos por hectare e por animal, reduzir os custos por quilo produzido, melhorar a qualidade das suas colheitas, reduzir as perdas durante e depois da colheita (físicas e de qualidade) e obter melhores preços na venda de seus excedentes ao incorporar-lhes valor e ao comercializá-los com menor intermediação.