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Os desafios do novo Secretário de Política Agrícola


Glauber Silveira
A Secretaria de Política Agrícola do MAPA, sem dúvida é estratégica ou ao menos deveria ser, pois tem em sua tutela a produção de grãos do Brasil. Neste momento em que devemos passar a ser o maior produtor de soja do mundo e estamos próximos dos 200 milhões de toneladas, com isso essa secretaria e o novo secretário tem como desafio avançar na solução de antigas demandas.

O novo secretário Neri Geller assume a pasta com total apoio do Mato Grosso, Estado que assume a liderança na produção de grãos. É inegável que ele tem capacidade para dar andamento e buscar apoio da bancada federal para que o novo Plano Safra seja condizente com o anseio do setor produtivo e traga avanços sonhados há décadas por um Brasil que tem sofrido para produzir, afinal estamos em um país de prioridades equivocadas.
Enquanto o Governo se reúne a portas fechadas e discute diretrizes de política agrícola, brotam leis e normas que solapam a produção brasileira, ignorando o fato de o setor manter a saúde financeira do país. Só para exemplificar, o próprio Governo, em atitude bipolar, ao mesmo tempo em que baixou os juros com recursos controlados para produtores médios de 6,5% ao ano para 5% no último plano safra, limitou o acesso aos produtores que contratassem o Proagro. E nós sabemos que as agências bancárias não tem estrutura para isso. Conclusão, a maioria acabou por ter que fazer contratos de crédito a juros livres, com valor três vezes maior do que o valor anunciado pela presidente Dilma em julho do ano passado, ou seja, no fim das contas o crédito rural ficou mais caro!
E não para por aí, este ano será marcado pela continuidade de grandes discussões no Congresso Nacional, tal como, as novas legislações que foram aprovadas, mas que estão tendo dificuldade na sua implantação, afinal na prática é que complica. Um exemplo é o novo Código Florestal. Sem falar também, na famigerada lei dos caminhoneiros, tão discutida neste momento e que atrelado aos problemas de logística e distância dos portos devem impactar em 20% o custo do frete em 2013, que já era o mais caro do mundo. Colocando no papel e considerando que os fretes em Mato Grosso atingiram os 220 reais por tonelada, e supondo que das 24 milhões de toneladas produzidas, a metade será exportada. Isto significa que os produtores do Estado gastarão meio bilhão de reais a mais para transportar a soja até os portos.
Embora com grandes desafios na fronte, a Secretaria de Política Agrícola possui hoje um cenário diferente, uma vez que o novo secretário reúne o apoio do setor agrícola e da bancada que defende os interesses dos produtores no Congresso, e é com esse apoio que ele terá musculatura suficiente para buscar as soluções necessárias. Seja na busca de um preço mínimo mais adequado ou condizente com a realidade dos produtos agrícolas, assim como será imprescindível o lançamento de um seguro agrícola que traga realmente segurança a produção, e não ao agente financeiro. O controle dos estoques do Governo sintonizados com os estoques privados para evitar produção a céu aberto, lançamento de opções, entre outras medidas devem estar sem dúvida na lista de prioridades da secretaria.
E não é só isso, temas cruciais como Classificação de grãos, fertilizantes, biotecnologia e pulverização agrícola e que sem dúvida neste ano serão amplamente debatidos, precisarão da atenção do novo secretário. O setor produtivo, em particular a soja, precisa de uma legislação clara e justa no tocante à classificação, afinal somos um país tropical com adversidades climáticas e muitas pragas. Não podemos admitir casos relatados de um produtor ao entregar 30 toneladas de soja a um armazém e ficar com saldo negativo de soja, ou comprar um fertilizante que deveria ter 20% de fósforo e receber um contendo 12% e nada acontecer.
Temas como biotecnologia e pulverização agrícola precisam ser debatidos na busca de garantir sua continuidade, e para isso precisamos de regras claras, é preciso discutir sem nenhum preconceito ou ideologia, onde se tire compromissos que sejam cumpridos pelo setor privado e pelo governo. Exemplo disso cito os inseticidas, o governo quer que sejam diminuídas as aplicações ou que seu uso seja revisto, por outro lado, o mesmo governo não agiliza a liberação de inseticidas mais modernos e menos tóxicos. É preciso mudar isso.
O Brasil passando a ser o maior produtor de soja do mundo passará também a ter ainda mais visibilidade e olha que os holofotes já estão constantemente sobre nós. Mas infelizmente a imagem que ficou associada ao setor é negativa, tanto pela falta de comunicação do setor privado, mas principalmente, porque nossos governantes e gestores públicos não souberam capitalizar as virtudes e conquistas do agro brasileiro. Precisamos mudar essa realidade, precisamos vender a imagem certa a real, do país com a produção mais sustentável do planeta e com potencial fantástico de geração de riquezas.
Embora com grandes demandas pela frente, também é grande aceitação do setor produtivo sobre o novo secretário de política agrícola e as expectativas positivas e tenho certeza que se o deixarem trabalhar e dermos todo o apoio e respaldo necessário o MAPA poderá recuperar a sua imagem e voltar a ser o ministério que representa a produção brasileira.
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