Caiu a área queimada com cana-de-açúcar em São Paulo. A novidade soa sensacional. Adotada desde os primórdios da economia, a colheita com fogo está com dias contados. Sorte do meio ambiente.
São Paulo produz 62% da cana do Brasil. Sua doce lavoura se estende por 4,5 milhões de hectares, área em contínua expansão. Descontando os novos canaviais - a cana recém plantada demora um ano para madurar - a colheita atingiu 3,8 milhões de hectares na última safra. Sobre o período anterior, houve um acréscimo de 548 mil hectares.
Aumentou a colheita, mas reduziu a área queimada em 109 mil hectares. Para quem gosta de comparação, isso corresponde a 155 mil campos de futebol sem labareda. Os números, precisos, foram calculados com imagens de satélite, compilados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Não é difícil. Afinal, as enormes fogueiras são facilmente detectadas do espaço.
Mais cana se produz, menos cana arde. Essa situação, impensável até a pouco, resulta do Protocolo Agroambiental, uma espécie de ajustamento de conduta firmado entre o governo paulista e o setor sucroalcooleiro. Pelo acordo, que recentemente recebeu a adesão dos fornecedores autônomos de cana, os usineiros se comprometem a antecipar o prazo final para a eliminação da queimada. Pela lei paulista, nas áreas mecanizáveis, esse prazo vai até 2021. No Protocolo, vem para 2014.
A lição-de-casa, bem feita, permite projetar, mantida a primeira tendência, que já em 2012 a prática da queima da palha da cana desapareça. Pelo menos nas áreas planas. Nas lavouras em terras inclinadas, onde o corte mecanizado fica impedido, o fogaréu ainda permanecerá mais tempo. Representará, porém, parcela residual da produção. Felizmente.

