A arborização tem vital influência na qualidade de vida urbana, pois a mesma além de participar ativamente no ecossistema urbano, servindo de abrigo à fauna e fornecendo alimentos, participa também como indutor da qualidade ambiental, no que se refere às condições de solo urbano, regulação do ciclo hidrológico, aumento da diversidade e quantidade da fauna, moderação dos extremos climáticos, redução da poluição do ar, redução do ruído e absorção de águas pluviais.
Do ponto de vista cultural, as árvores tiveram e têm forte influência no nosso cotidiano, pois diversas ruas, parques, e até cidades tiveram seus nomes originados de toponímias. E estas guardam relação histórica e sentimental com a ocupação humana. Alguns exemplos são encontrados na cidade de São Paulo, tais como: Anhangabaú – que vêm de Anhangá (espírito protetor das matas) + embaú (figueira), local com a presença de figueira-brava; Araçá – arassa (saborosa fruta existente em todo o Brasil); Cambuci – camussi (fruta com formato de urna funerária); Guarapiranga – guará-piranga (outro nome dado ao Pau-Brasil); Ibirapuera – ybirá-puera (O que foi árvore; tronco que fica depois de cortada uma árvore); Jurubatuba – jarybá-tyba (Local com abundância de Palmeiras Jurubás (Jerivá – Syagrus romanzoffiana). Outro exemplo que relacionam a cidade com uma determinada árvore pode-se citar a cidade de Guararema, que vêm da árvore Pau d´alho.
A Organização das Nações Unidas (ONU), estabelece como padrão mínimo de áreas verdes nas cidades o valor de 12 m2 / habitante. Este padrão baseia-se no fato de que a presença dessas áreas no meio urbano trazem benefícios tanto ambientais quanto sociais. No município de São Paulo, segundo as últimas pesquisas do IBGE, a população está estimada em torno de 10.434.252 habitantes, o que leva a necessidade de 125.211.024 m2 de áreas verdes. Atualmente constatamos somente 30.199.335 m2 de áreas verdes espalhadas em 34 parques urbanos e uma estimativa de 1.000.000 de árvores no município de São Paulo. Esses dados apresentados não refletem a real situação das áreas verdes e/ou arborizadas do município, mas dão uma noção da dimensão e importância do tema.
Outras questões fundamentais, no que se refere ao planejamento da arborização, dizem respeito às interferências que as árvores tem sobre o meio ambiente construído e vice-versa, problemas relacionados a inadequação de espécies aos passeios públicos, conflitos com redes de energia e telefonia, redes de água e esgoto, galerias e com o trânsito. As árvores podem também, em alguns casos representar riscos às edificações, pessoas e ao patrimônio público, o que também gera conflitos e deve ser considerado no planejamento. Estimativas indicam que centenas de árvores caem anualmente, danificando carros, construções e a rede de energia elétrica. Somente durante a chuva de um único dia, 49 árvores caíram na região da sub-prefeitura da Sé, causando inúmeros prejuízos. Esses acidentes ocorrem por uma série de fatores, mas principalmente pela falta de planejamento e gerenciamento da arborização urbana.