Não! Na essência não muda a economia brasileira. O novo ministro, senhor Guido Mantega, tem um perfil moderado, embora não estivesse dentro das expectativas principais do mercado. Na prática, o presidente Lula, em época de eleições presidenciais, procurou conciliar a manutenção da estabilidade econômica e sua lógica, com a possibilidade de acelerar determinadas ações buscando maior crescimento econômico. Assim, Murilo Portugal, de linha econômica mais ortodoxa e Aloízio Mercadante, de linha dita mais progressista, foram preteridos em favor de um nome moderado. Evidentemente, o mercado, diante da mudança, reage, no imediato, com cautela e certo nervosismo especulativo, porém, a tendência não indica mudança substancial no rumo econômico. Os discursos de Mantega, após a escolha, mostram isto. Paralelamente, o presidente do Banco Central permanece. O que preocupa um pouco é a mudança do segundo escalão do ministério. A saída de Murilo Portugal e Joaquim Levy, na prática os verdadeiros ministros da Fazenda, pode perturbar a estabilidade se os novos escolhidos não tiverem um bom cacife técnico, aos olhos do mercado. Isto dito, a política cambial deverá permanecer dependente da entrada ou não de dólares no país. A meta inflacionária, de 4,5% para 2006, será mantida e a política de rígido controle nos gastos públicos, medido pelo superávit primário não se modificará. Ou seja, o tripé de sustentação da economia nacional e sua estabilidade (superávit primário, meta inflacionária e câmbio flutuante) será mantido. O que parece mudar será a rapidez na redução nas taxas de juros. O novo ministro é partidário deste movimento na taxa Selic, pois o Brasil precisa crescer de forma mais robusta. E Mantega também foi escolhido para isto.

