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Saiba o que fazer com um flex na garagem


Cláudio Boriola

* Cláudio Boriola - Consultor Financeiro

 

Estatísticas divulgadas no início deste ano mostram que os modelos de carros flex, com motores que funcionam tanto à gasolina quanto a álcool, tiveram uma calorosa recepção por parte dos consumidores. Nada menos do que 73% dos compradores de automóveis zero-quilômetro preferem adquirir um modelo com essa característica. Mas será que todos eles estão cientes de como economizar tendo um carro desses na garagem? Quando utilizar álcool ou gasolina?

 

Poucos sabem, mas essa é uma tecnologia desenvolvida por engenheiros brasileiros que, em 1994, apresentaram a novidade num congresso, e que permite ao consumidor escolher o tipo de combustível que mais lhe convém, de acordo com a utilização do automóvel, do consumo e do preço. Os testes foram feitos com um Ômega, mas o primeiro modelo a ser lançado no mercado brasileiro com a tecnologia flex fuel foi o Gol Total Flex, em março de 2003, que já vendeu mais de 115 mil unidades. A expectativa é que em poucos anos, veículos com motores movidos exclusivamente a álcool devem ser extinguidos, já que atualmente participam muito pouco do mercado de carros zero.

 

O consumo varia de acordo com o automóvel e a potência do seu motor, mas uma conta simples pode resolver o problema. O abastecimento com álcool se torna mais vantajoso quando seu valor não ultrapassa 70% o valor do litro da gasolina. Por exemplo: o valor médio do litro da gasolina na cidade de São Paulo é de R$ 2,41. Nessa situação, prefira o álcool se o valor do litro for menor que R$ 1,68. Segundo as montadoras, também há uma vantagem em relação à poluição: esses motores liberam uma quantidade menor de gases poluentes e agressivos à camada de ozônio.

 

Os cuidados que os proprietários devem ter em relação ao abastecimento não mudam muito se comparados com veículos de motores convencionais. A preocupação com a qualidade do combustível deve ser permanente, pois a mistura da gasolina com o álcool sem qualidade cria uma espécie de gelatina, que pode entupir a passagem da mistura e danificar várias peças do motor. Para isso, o motorista deve evitar os postos chamados “bandeira branca”, que não carregam a marca de uma distribuidora e não tem confiabilidade em se tratando da origem do combustível. O preço é sempre convidativo, mas também é de se desconfiar. Todo posto de combustível tem a obrigação de expôr o produto que vai parar no tanque de um automóvel. Verifique se o álcool que está sendo colocado é transparente.

 

Se analisado tecnicamente, um veículo com motor flex consome cerca de 10% mais combustível do que um com motor convencional. Isso porque o motor convencional é afinado para trabalhar com um único combustível, que tem as suas características e garante a potência do motor. Já um flex precisa se “adaptar” à mistura com a ajuda de um computador de bordo. Ou seja, além de perder um pouco de potência, há um consumo um pouco maior. Mas, em longo prazo, esse prejuízo acaba compensando pela, já explicada, liberdade que o consumidor têm. É um caso parecido com a adaptação do automóvel para receber o GNV, Gás Natural Veicular. O investimento é alto, mas com o tempo e com o uso do carro, o gasto acaba ficando muito menor do que a economia que o sistema oferece.

 

Para quem tem um carro convencional e não tem capital suficiente para trocar por um flex, há no mercado um chip que transforma o automóvel e faz com que ele também rode com a mistura álcool/gasolina. O custo é baixo: R$ 60. Com esse valor, você passa a desfrutar das facilidades e da liberdade de um motor flex. O único problema é que num prazo médio de nove meses o motor começa a dar sinais de que algo está errado e pode parar de funcionar! Os desenvolvedores dessa “mágica” se esqueceram de que não é só a mudança eletrônica que é a responsável por um automóvel ser flex ou não. É necessário também preparar quimicamente o motor e suas principais peças para receber a mistura, principalmente nos carros equipados com injeção eletrônica.

 

De acordo com os números do mercado e com a ótima recepção que os motores flex tiveram, uma coisa é certa: eles vieram para ficar!

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