As duas melhores safras da última década foram as de 2003/04 e 2010/11.
Além da produção, os preços da soja e do milho alcançaram níveis nominais elevados e, até mesmo, recordes em alguns momentos. Todavia, na comparação entre uma e outra, a receita do produtor acabou diminuindo comparativamente. Isso porque o aumento do custo de produção foi muito superior ao aumento dos preços recebidos pelo saco dos produtos citados. Assim, no caso da soja, enquanto a inflação entre outubro/03 e outubro/10 ficou em 42,5%, o custo operacional médio (incluindo o financiamento) aumentou em 26,3%. Já o custo total (incluindo a remuneração da terra) subiu 29,3% no período. Nos dois casos, bem abaixo da inflação oficial.
Todavia, o preço médio recebido pelo produtor rural, pela soja negociada em abril de cada um dos anos citados, recuou nominalmente de 14,1%, passando de R$ 49,72/saco em abril de 2004, para R$ 42,72/saco em abril de 2011. Assim, a renda líquida final acabou sendo melhor em 2003/04. Os cálculos com valores reais confirmam esta assertiva.
Para o milho a realidade não foi muito diferente. O custo operacional (mais financiamento) subiu 30,9% no mesmo período, enquanto o custo total (incluindo a remuneração da terra) subiu 47,8%. Em compensação o preço recebido pelo produtor, no momento da comercialização, igualmente subiu, porém, de apenas 17,7%. Também aqui, salvo em casos isolados e em casos de produtividade muito acima da média considerada, o produtor do cereal acabou tendo uma receita líquida melhor em 2003/04 do que nesta última safra. (cf. dados da Fecoagro, Emater, FGV e CEEMA)
Agronegócio continua salvando a balança comercial
Entre outubro/10 e setembro/11 a balança comercial brasileira registra um superávit de US$ 30,2 bilhões. Nesse mesmo período, o superávit do agronegócio nacional atingiu a US$ 73,6 bilhões (resultado de exportações de US$ 90,3 bilhões, com crescimento de 24,8% sobre o mesmo período do ano anterior, e importações de US$ 16,6 bilhões, com crescimento de 33,6% no período).
Isso significa dizer que o saldo positivo da balança comercial brasileira em geral, no período considerado, foi obtido graças ao resultado do agronegócio nacional. Mais uma vez, o complexo soja (vendas de US$ 22,2 bilhões), o setor sucroalcooleiro (US$ 15,9 bilhões), as carnes (US$ 15 bilhões), os produtos florestais (US$ 9,6 bilhões) e o café (US$ 8,1 bilhões) foram os expoentes nas exportações do agronegócio brasileiro.
Quanto ao destino das exportações brasileiras do agronegócio, a Ásia absorveu 30,8% do total e a União Europeia 26,2%. Por país, a China é o grande comprador com 16% do total vendido pelo Brasil. Em termos de crescimento nas compras do agronegócio brasileiro, neste período considerado, tem-se a Argélia com 76,4%, o Japão com 54,3% e a Espanha com 49,3%. INFLAÇÃO NACIONAL: O VIÉS É DE BAIXA A inflação brasileira (IPCA), ao alcançar 0,53% em setembro, acumulou em 12 meses um total de 7,31%, se consolidando no maior resultado anual desde maio de 2005.
Todavia, salvo efeitos muito rápidos provocados pela rápida desvalorização do Real entre fins de julho e início de outubro, tudo indica que a inflação iniciará um processo de recuo no acumulado anual a partir deste mês de outubro, podendo fechar o ano um pouco abaixo do teto da meta estabelecida, que é de 6,5%. Isso se deve, como já comentamos em outra oportunidade neste espaço, ao fato de que os índices inflacionários de outubro, novembro e dezembro de 2010 serem muito elevados. Desta forma, já neste mês de outubro, se o índice mensal ficar abaixo de 0,75%, teremos uma inflação em queda. Para novembro, o índice deverá ficar abaixo de 0,83% para nova queda e, para dezembro, abaixo de 0,63%.
Considerando a média dos nove meses de 2011, que foi de 0,54% ao mês, isso é bastante plausível. Mesmo porque, o Real voltou a se valorizar novamente, tendo trabalhado ao redor de R$ 1,74 por dólar durante o dia 13/10. Essa realidade conforta o governo a reduzir novamente a taxa Selic, na reunião do Copom dos dias 18 e 19 de outubro (espera-se uma nova redução de 0,50 ponto percentual, trazendo o juro básico anual para 11%). Todavia, pesa sobre essa possibilidade a continuidade de oferta significativa de crédito na economia interna, uma demanda relativamente aquecida e pressões setoriais por aumentos salariais bem acima do esperado pelo governo.