EVOLUÇÃO DOS PREÇOS AGRÍCOLAS: SOJA
Passados os primeiros quatro meses de 2009, no auge da crise econômico-financeira que abala o mundo, e no momento em que os produtores nacionais, e particularmente os gaúchos, negociam sua safra de verão, importante se faz analisar o comportamento do preço de alguns produtos agropecuários que interessam à nossa economia.
No caso da soja, nos últimos 12 meses, assistimos a uma significativa oscilação das cotações na Bolsa de Chicago. O bushel da oleaginosa (27,21 quilos), que esteve cotado em US$ 13,01 no dia 30/04/2008, chegou a alcançar, no dia 03 de julho daquele ano, o recorde de US$ 16,58.
Nesse final de abril de 2009 o mesmo estava em US$ 10,34, após ter atingido o valor mínimo, no período, de US$ 7,83 no dia 05/12/2008. Dessa forma, entre o final de abril de 2008 e o final de abril de 2009 (ponto a ponto), o preço da soja em Chicago caiu 20,5%. Hoje o preço não está tão bom, porém, melhorou bastante em relação ao pior momento vivido em dezembro.
Já o preço médio gaúcho, em reais, para a soja vendida no balcão, passou de R$ 44,42/saco no final de abril de 2008, para R$ 50,60 no início de julho daquele ano. O mesmo caiu no início de dezembro para R$ 42,57, estando nesse final de abril de 2009 em R$ 45,47/saco. Ou seja, ponto a ponto o preço se elevou 2,6%, mesmo com o forte recuo em Chicago.
Observa-se que o preço da soja em reais, durante todo o ano, se manteve muito estável se comparado com o ocorrido em Chicago. O que sustentou o preço em reais foi a desvalorização cambial no período. No final de abril de 2008 o câmbio no Brasil era de R$ 1,68 por dólar.
Nesse final de abril de 2009 o mesmo câmbio estava em R$ 2,17 (29,2% de desvalorização em um ano), tendo mesmo chegado ao redor de R$ 2,40 em alguns momentos deste primeiro quadrimestre. Ou seja, não foi o produto em si que se valorizou e sim o câmbio que acabou mantendo o valor da soja.
Nesse contexto, a tendência dos preços da soja, para as próximas semanas, em condições normais de safra nos EUA, aponta para preços nos atuais níveis, com possibilidade concreta de algum recuo a partir da confirmação de uma área maior semeada naquele país, além do recente problema da “gripe suína” e a especulação de redução nos rebanhos suinícolas e, portanto, menor consumo mundial de rações.
EVOLUÇÃO DOS PREÇOS AGRÍCOLAS: MILHO
O caso do milho foi semelhante em Chicago. No final de abril do ano passado, o bushel do cereal (25,4 quilos) era cotado a US$ 6,00. Esse preço chegou a US$ 7,54 em 27/06 daquele ano, para depois cair para US$ 2,93 no início de dezembro passado.
Nesse final de abril de 2009, o milho era cotado em Chicago a US$ 3,93/bushel. Assim, ponto a ponto, o recuo no valor do milho, em Chicago, alcançou 34,5%, superando largamente o recuo da soja. Todavia, no Brasil, os preços internos do milho não se balizam por Chicago.
Mesmo assim, por razões de oferta e demanda locais, ligadas a uma menor exportação em 2008, os preços do cereal despencaram em nosso país. No Rio Grande do Sul, a média no balcão atingia a R$ 24,07/saco no final de abril de 2008. No início de julho, tal preço chegava a R$ 25,07, recuando no início de dezembro para R$ 18,59/saco.
Nesse final de abril de 2009 a média gaúcha atingia a R$ 17,25/saco, após ter batido em R$ 16,69 em meados do mês. Assim, contrariamente à soja, o preço gaúcho do milho, ponto a ponto, recuou 28,3% nesse último ano.
A tendência para as próximas semanas é de manter uma leve recuperação no Estado devido à forte quebra originada pela seca. Se não fosse isso, os preços somente poderiam se recuperar no último trimestre do ano, dependendo do resultado da safrinha brasileira e do volume que exportaremos em 2009.
Resta saber como a “gripe suína” irá impactar no consumo do cereal no país.
EVOLUÇÃO DOS PREÇOS AGRÍCOLAS: TRIGO
As cotações do trigo em Chicago, por sua vez, igualmente tiveram um comportamento de forte volatilidade nesse último ano (fins de abril/08 a fins de abril/09). O bushel do cereal (27,21 quilos), que valia US$ 7,87 no final de abril de 2008, chegou a US$ 9,24 no final de junho passado, caindo depois para US$ 4,57 no início de dezembro (lembramos que o recorde histórico em Chicago foi alcançado em 27/02/2008 quando o bushel fechou o dia em US$ 12,80).
Nesse final de abril de 2009, o produto chegou a US$ 5,20/bushel. Assim, ponto a ponto, o trigo assistiu a um recuo de 33,9% em seu valor em Chicago. Igualmente, nesse caso, o preço nacional do cereal não é diretamente influenciado por Chicago.
Existe sim uma relação indireta na medida em que os preços do produto importado sofrem os reflexos do que ocorre naquela Bolsa. Desta forma, no mercado gaúcho o trigo assistiu a um significativo recuo nesses últimos 12 meses.
No final de abril de 2008 o saco do cereal valia R$ 32,73 no balcão gaúcho. O mesmo, no início de julho passado, ainda se sustentava em R$ 32,58. Já em princípios de dezembro de 2008 o preço do trigo havia despencado para R$ 23,46/saco, mesmo diante de uma safra muito prejudicada pelo excesso de chuvas. Nesse final de abril de 2009 o balcão gaúcho estava pagando apenas R$ 24,36/saco, lembrando que o preço mínimo válido para esse produto é de R$ 28,80/saco.
Assim, ponto a ponto, o recuo no preço gaúcho do trigo foi de 25,6% nos últimos 12 meses. Um enorme desestímulo num momento em que iniciamos um novo período de plantio do cereal.