Mercado financeiro sinaliza
A forte queda no índice da Bovespa nesta última semana, com sua pontuação chegando a recuar a 63.400 pontos no dia 05/05, e a recuperação do dólar no mesmo dia (R$ 1,62 no fechamento das operações) sinalizam a preocupação do mercado financeiro para com o comando atual de nossa economia. Na prática, estamos tendo uma saída importante de dólares nestes primeiros dias de maio, na esteira da timidez oficial em efetivamente combater a inflação. O pequeno aumento da taxa Selic no dia 20/04, acompanhado pela ata do Copom uma semana após, deu a nítida impressão de que o governo está atrapalhado sobre o que realmente fazer a respeito, perdendo a sintonia com o mercado. Pior, deixando a impressão de que estamos preferindo manter um nível de crescimento com inflação, já que não se tem infraestrutura de oferta para responder a demanda que se origina de tal crescimento. Se no imediato isso representa menos capital especulativo e, portanto, menos dólares no mercado nacional, favorecendo a uma desvalorização desejada do Real, o que preocupa é o motivo que vem provocando tal situação. Ou seja, o governo brasileiro estaria optando por hipotecar a estabilidade da economia em favor de um crescimento que o país não possui capacidade para suportar. Não é por nada que nos primeiros quatro meses de 2011 o Brasil registra fuga de US$ 3 bilhões da Bovespa. Urgentemente o governo deve terminar com os chamados ruídos que gerou com o mercado e indicar uma real vontade de combater a atual inflação. Para os menos atentos, 6,5% de inflação em 2011, como estamos alcançando, pode não ser muita coisa, porém, tal número significa 44% acima do valor que realmente o governo gostaria de manter, que são os 4,5% anuais (o centro da meta inflacionária). Nesse momento, o mercado coloca em dúvida a capacidade do governo em combater a inflação que avança no país. No caso da Bovespa, uma nova recuperação irá depender muito do combate que o governo fará, daqui em diante, à inflação. Só discurso oficial, inclusive da presidente, no sentido de demonstrar preocupação com o problema, já não convence ninguém.
Incapacidade e privatização
É sabido histórica e mundialmente que as privatizações de serviços e estruturas públicas, salvo ações exclusivamente ideológicas, são feitas por necessidade. Dito de outra maneira, se o Estado fosse eficiente, as diferentes gestões públicas não privatizariam. Ou seja, com o avanço das necessidades dos seus cidadãos, acompanhado pelo avanço globalizado das tecnologias, os Estados, em sua maioria, por não terem feito o dever de casa, não possuem estrutura para oferecer um acompanhamento adequado na oferta de serviços. Foi nessa linha que privatizamos o setor das telecomunicações e da energia em meados dos anos de 1990, além de outros setores. É nesta linha que o próprio governo Lula, tão crítico às privatizações de antanho, lançou as Parcerias-Público-Privadas (uma forma de demandar socorro à iniciativa privada, declarando a incapacidade do Estado em tocar os projetos ali privilegiados). Atualmente, o governo Dilma, herdeiro de dois outros grandes problemas gerados pelo ufanismo do governo Lula (Copa do Mundo e Olimpíadas), se lança em mais uma etapa de privatização por necessidade. Finalmente se dando conta de que o Estado brasileiro não tem condições de terminar as principais obras para os dois importantes eventos mundiais (algumas obras nem começaram ainda), o atual governo lança a privatização da ampliação dos aeroportos. A presidente percebeu que, além de incompetente para entregar as obras no prazo, o Estado brasileiro, atolado em uma enorme dívida interna que não pára de crescer, não tem recursos para gastar nessa atividade, já que precisa sustentar a máquina pública inchada enquanto as reformas não saem. Outras obras nacionais provavelmente seguirão o mesmo caminho.
Cuba levou 52 anos para entender
Nesse sentido, o governo socialista de Cuba, no último Congresso do PC local, realizado em abril passado, acaba de dar um passo na busca de uma sustentabilidade cada vez mais comprometida. Passados os anos dourados, em que a revolução foi sustentada pelo dinheiro da antiga União Soviética (1959 a 1991), o governo local percebe que o Estado precisa realizar reformas para sobreviver. Nas palavras de seu próprio líder, Raúl Castro, “ou mudamos o curso ou afundamos.” A mudança de curso significa literalmente entrar, mesmo que aos poucos, na economia de mercado. A ideia é resolver a crise socioeconômica sem mudar totalmente o modelo econômico planificado, o que parece ser impossível. Em todo caso, por enquanto, dentre as medidas aprovadas encontram-se a liberação de compra e venda de imóveis, pois há um enorme déficit de residências; possibilidade de comercializar carros; permissão de criação de pequenos negócios privados em mais de 150 setores da economia, além do corte de 500 mil vagas no setor público e redução de subsídios na economia. Até 2015, metade dos 5 milhões de funcionários públicos, sobre um total de 12 milhões de pessoas que compõem a população do país, deverá passar para o setor privado. Tudo isso no afã de cortar gastos públicos, os quais chegaram a tal ponto que inviabilizaram o país e a própria revolução. Como sabemos isso não é privilégio apenas de país com economia planificada. É privilégio, isso sim, de quem insiste em transformar o Estado em uma fonte de benesses e assistencialismos político-ideológicos, em favorecimento próprio, via políticas populistas, sem comprometimento com a gestão pública eficiente, até literalmente quebrá-lo, transferindo a conta para as gerações futuras e hipotecando definitivamente sua possibilidade de, um dia, chegar ao desenvolvimento.
A forte queda no índice da Bovespa nesta última semana, com sua pontuação chegando a recuar a 63.400 pontos no dia 05/05, e a recuperação do dólar no mesmo dia (R$ 1,62 no fechamento das operações) sinalizam a preocupação do mercado financeiro para com o comando atual de nossa economia. Na prática, estamos tendo uma saída importante de dólares nestes primeiros dias de maio, na esteira da timidez oficial em efetivamente combater a inflação. O pequeno aumento da taxa Selic no dia 20/04, acompanhado pela ata do Copom uma semana após, deu a nítida impressão de que o governo está atrapalhado sobre o que realmente fazer a respeito, perdendo a sintonia com o mercado. Pior, deixando a impressão de que estamos preferindo manter um nível de crescimento com inflação, já que não se tem infraestrutura de oferta para responder a demanda que se origina de tal crescimento. Se no imediato isso representa menos capital especulativo e, portanto, menos dólares no mercado nacional, favorecendo a uma desvalorização desejada do Real, o que preocupa é o motivo que vem provocando tal situação. Ou seja, o governo brasileiro estaria optando por hipotecar a estabilidade da economia em favor de um crescimento que o país não possui capacidade para suportar. Não é por nada que nos primeiros quatro meses de 2011 o Brasil registra fuga de US$ 3 bilhões da Bovespa. Urgentemente o governo deve terminar com os chamados ruídos que gerou com o mercado e indicar uma real vontade de combater a atual inflação. Para os menos atentos, 6,5% de inflação em 2011, como estamos alcançando, pode não ser muita coisa, porém, tal número significa 44% acima do valor que realmente o governo gostaria de manter, que são os 4,5% anuais (o centro da meta inflacionária). Nesse momento, o mercado coloca em dúvida a capacidade do governo em combater a inflação que avança no país. No caso da Bovespa, uma nova recuperação irá depender muito do combate que o governo fará, daqui em diante, à inflação. Só discurso oficial, inclusive da presidente, no sentido de demonstrar preocupação com o problema, já não convence ninguém.
Incapacidade e privatização
É sabido histórica e mundialmente que as privatizações de serviços e estruturas públicas, salvo ações exclusivamente ideológicas, são feitas por necessidade. Dito de outra maneira, se o Estado fosse eficiente, as diferentes gestões públicas não privatizariam. Ou seja, com o avanço das necessidades dos seus cidadãos, acompanhado pelo avanço globalizado das tecnologias, os Estados, em sua maioria, por não terem feito o dever de casa, não possuem estrutura para oferecer um acompanhamento adequado na oferta de serviços. Foi nessa linha que privatizamos o setor das telecomunicações e da energia em meados dos anos de 1990, além de outros setores. É nesta linha que o próprio governo Lula, tão crítico às privatizações de antanho, lançou as Parcerias-Público-Privadas (uma forma de demandar socorro à iniciativa privada, declarando a incapacidade do Estado em tocar os projetos ali privilegiados). Atualmente, o governo Dilma, herdeiro de dois outros grandes problemas gerados pelo ufanismo do governo Lula (Copa do Mundo e Olimpíadas), se lança em mais uma etapa de privatização por necessidade. Finalmente se dando conta de que o Estado brasileiro não tem condições de terminar as principais obras para os dois importantes eventos mundiais (algumas obras nem começaram ainda), o atual governo lança a privatização da ampliação dos aeroportos. A presidente percebeu que, além de incompetente para entregar as obras no prazo, o Estado brasileiro, atolado em uma enorme dívida interna que não pára de crescer, não tem recursos para gastar nessa atividade, já que precisa sustentar a máquina pública inchada enquanto as reformas não saem. Outras obras nacionais provavelmente seguirão o mesmo caminho.
Cuba levou 52 anos para entender
Nesse sentido, o governo socialista de Cuba, no último Congresso do PC local, realizado em abril passado, acaba de dar um passo na busca de uma sustentabilidade cada vez mais comprometida. Passados os anos dourados, em que a revolução foi sustentada pelo dinheiro da antiga União Soviética (1959 a 1991), o governo local percebe que o Estado precisa realizar reformas para sobreviver. Nas palavras de seu próprio líder, Raúl Castro, “ou mudamos o curso ou afundamos.” A mudança de curso significa literalmente entrar, mesmo que aos poucos, na economia de mercado. A ideia é resolver a crise socioeconômica sem mudar totalmente o modelo econômico planificado, o que parece ser impossível. Em todo caso, por enquanto, dentre as medidas aprovadas encontram-se a liberação de compra e venda de imóveis, pois há um enorme déficit de residências; possibilidade de comercializar carros; permissão de criação de pequenos negócios privados em mais de 150 setores da economia, além do corte de 500 mil vagas no setor público e redução de subsídios na economia. Até 2015, metade dos 5 milhões de funcionários públicos, sobre um total de 12 milhões de pessoas que compõem a população do país, deverá passar para o setor privado. Tudo isso no afã de cortar gastos públicos, os quais chegaram a tal ponto que inviabilizaram o país e a própria revolução. Como sabemos isso não é privilégio apenas de país com economia planificada. É privilégio, isso sim, de quem insiste em transformar o Estado em uma fonte de benesses e assistencialismos político-ideológicos, em favorecimento próprio, via políticas populistas, sem comprometimento com a gestão pública eficiente, até literalmente quebrá-lo, transferindo a conta para as gerações futuras e hipotecando definitivamente sua possibilidade de, um dia, chegar ao desenvolvimento.