IDH mediano
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) divulgou seu novo relatório anual sobre o desenvolvimento humano. O mesmo traz uma nova classificação dos países conforme os respectivos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), hoje uma das melhores medidas existentes para se avaliar o nível de desenvolvimento de um país. Neste relatório o Brasil ficou em 73º lugar, considerado como suficiente para integrar o chamado grupo de países com desenvolvimento humano elevado. Todavia, sabe-se que, diante da alteração dos indicadores usados e da forma de cálculo, tal resultado pode mascarar determinadas realidades. Além disso, perde-se as condições de comparação com os anos anteriores, quando a metodologia era outra (em 2009 ficamos em 75º lugar). O que se pode dizer, comparando a performance dos demais países é que, de uma certa forma, estacionamos, apesar da classificação dada. Afinal, ainda continuamos longe de nossos principais vizinhos (Chile em 45º lugar, Argentina em 46º e Uruguai em 52º lugar). O Brasil teria melhorado, segundo fontes oficiais, porém, a análise dos índices não demonstra isso, infelizmente. Em 1991, quando o IDH passou a ser calculado, nós tínhamos o 60º lugar e um índice de 0,759 (quanto mais próximo de 1, melhor a situação do país). Os dados divulgados em 2010, relativos aos índices econômicos de 2008, indicam um índice de 0,699. Assim, 20 anos atrás, embora sob metodologia diferente, nos encontrávamos em situação melhor. É claro que um maior número de países passou a ser considerado no estudo, assim como outros fatores passaram a compor os cálculos. Além disso, todo modelo econômico usado tem suas limitações. Porém, pelo que se nota neste período, o Brasil tem mantido um IDH mediano, pouco evoluindo na classificação geral dentre os países do mundo. Portanto, socialmente há muito por fazer, pois nossos serviços públicos ainda são insuficientes, em especial a saúde e a educação, em relação à importância econômica do país.
O Brasil é menor
Os primeiros dados do Censo Demográfico brasileiro, realizado neste ano de 2010, nos chegam com muitas surpresas. Comparando-se com os resultados de 2000, a primeira delas é que a população do país é menor do que se imaginava. Em estimativas realizadas há poucos meses atrás, o IBGE calculava que o Brasil se aproximava de 192 milhões de pessoas. Ora, o Censo indica 185,7 milhões de pessoas. Em se confirmando tais números, isso significa que o Brasil começou a diminuir sua natalidade bem antes do imaginado e está menor do que se projetava nesse aspecto. Isso oferece algumas vantagens econômicas, já que a necessidade de investimentos públicos em geral passa a ser menor. Em segundo lugar, nota-se que os Estados onde mais cresceu a população, com exceção do Distrito Federal, são os do norte do país (Amapá, Roraima, Acre e Pará, pela ordem). Os que menos cresceram, mantendo a lógica, são os que possuem um nível de desenvolvimento mais elevado. Destes, destaca-se o Paraná, seguido de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul. No caso gaúcho, a taxa de crescimento populacional foi de apenas 3,8% nos últimos 10 anos, com a população local ficando em 10,6 milhões de pessoas. Comparando-se o Brasil e o Rio Grande do Sul, entre 1970 e 2010, a população nacional cresceu 99,4% enquanto a gaúcha aumentou em 58,7% no período. A diferença de ritmo é gritante. Nota-se igualmente que São Paulo não é tão grande assim, pois teria 10,6 milhões de habitantes nesse momento, quando há muito tempo se fala em uma população acima de 12 milhões. Ou seja, temos muitos problemas socioeconômicos a resolver, porém, é positivo saber que nossa população já não está crescendo intempestivamente. Isso facilita o trabalho dos gestores públicos que efetivamente buscam trabalhar para o coletivo.
USDA rebaixa safra e estoques de soja dos EUA
O último relatório do USDA, divulgado neste dia 09/11, não chegou a ser surpresa, porém, deu um tom altista para o mercado. A safra de soja daquele país, que entre julho e agosto chegou a ser cogitada em até 94 milhões de toneladas, está agora estimada em 91,8 milhões de toneladas. Já os estoques finais, para o ano 2010/11, antes projetados em mais de 9 milhões de toneladas, agora já foram reduzidos para 5,03 milhões de toneladas. Mesmo assim, esperando que o clima seja positivo na América do Sul e que o fenômeno La Niña seja menos intenso do que o previsto, a produção mundial foi elevada para 257,4 milhões de toneladas, após 255 milhões em outubro, e os estoques finais mundiais foram mantidos em 61,4 milhões de toneladas (60,4 milhões um ano antes). Já a produção de milho nos EUA foi reduzida para 318,5 milhões de toneladas e os estoques finais do produto naquele país ficariam em 21 milhões de toneladas. A produção mundial chegaria a 818,5 milhões e os estoques finais mundiais em 129,1 milhões. Nos dois casos, uma redução entre um e dois milhões de toneladas. Enfim, o trigo teve sua produção confirmada em 60,1 milhões de toneladas nos EUA, para estoques finais em 23 milhões. Em nível mundial, a produção global aumentou de um milhão e meio de toneladas, se estabelecendo em 642 milhões, enquanto os estoques finais foram reduzidos para 172, 5 milhões de toneladas. Ou seja, um relatório relativamente normal e dentro do esperado. Porém, logo após o seu anúncio, assistiu-se a uma disparada nas cotações da soja particularmente. Ora, os números do relatório estão longe de serem suficientes para elevar as cotações da oleaginosa acima de US$ 13,00/bushel como foi o caso neste dia 09/11. Na prática, com um mercado fortemente especulativo, que reflete diretamente as consequências da guerra cambial que se desenrola no mundo, esta sim o ponto central do atual movimento das cotações, o relatório foi usado como um pretexto a mais para novas altas.