CRISE: A RECEITA EUROPÉIA
A União Européia, desde o final de novembro passado, vem aplicando uma receita de 10 pontos visando combater a crise econômico-financeira mundial. O primeiro ponto é a sustentação do emprego, através de um melhor uso do seu Fundo Social Europeu, com o mesmo sendo direcionado às populações mais vulneráveis. O segundo ponto é reduzir os encargos sociais, particularmente junto aos baixos salários, a fim de facilitar a geração e manutenção dos empregos. Inclusive a redução da TVA (taxa de valor agregado) para os produtos gerados junto aos setores com intenso uso de mão-de-obra. O terceiro ponto é melhorar o acesso ao financiamento para as pequenas e médias empresas. Na sequência, reduzir o peso administrativo que incide sobre as empresas, de maneira que uma empresa possa ser criada em menos de três dias. Outro ponto é o investimento na modernização das infra-estruturas, particularmente nos transportes, comunicações e energia. O sexto ponto é melhorar a eficácia energética dos prédios, de maneira a economizar energia sem prejudicar o bem-estar das pessoas. O sétimo ponto é promover a “decolagem” rápida dos chamados produtos ecológicos os quais, apesar de toda a propaganda, ainda não avançaram muito junto aos consumidores. Para tanto, uma redução da TVA para os produtos que respeitam o meio ambiente passa a ser adotada. O oitavo ponto é investir em P&D (pesquisa e desenvolvimento), via facilidades fiscais ou orçamentárias junto ao setor privado. O penúltimo ponto é desenvolver tecnologias limpas para os automóveis e a construção civil. Enfim, promover a internet de alta velocidade para todos visando atingir a 100% da população já em 2010. Ou seja, estamos diante de um plano estrutural e não de reações pontuais, caso a caso, e as vezes sem organização, como estamos acostumados no Brasil, com raras exceções. Se isso será suficiente para aplacar os efeitos da crise na Europa, porém, só o tempo dirá.
A TECNOLOGIA A SERVIÇO DA QUALIDADE DE VIDA
Não é novidade o uso da tecnologia para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Mesmo que o homem ainda não tenha conseguido evitar que parte da mesma acabe poluindo e se tornando nociva ao meio ambiente, é evidente que não pode dela prescindir. Especialmente na área dos alimentos. Por isso, o avanço da transgenia é essencial, desde que permanentemente melhorada e testada. Além dos milhares de exemplos já conhecidos, da África nos chega a notícia de que graças a simples técnica de gerar uma batata doce rica em beta caroteno, a partir da introdução de um gene rico desta substância na semente do tubérculo, os casos de cegueira infantil foram reduzidos consideravelmente. Assim, a batata doce de cor laranja vem fazendo enorme sucesso em Moçambique e outros países. Cerca de 70% das crianças com idade entre 6 meses e 5 anos em Moçambique têm carência de vitamina A, sendo que muitas são atingidas pela doença. No mundo, seriam 125 milhões de crianças com o problema de cegueira pela falta de vitamina A. O projeto, lançado há 10 anos pelo Centro Internacional da Batata, somente agora cai no agrado da população rural e consumidora de Moçambique. Isso porque, culturalmente é preciso demonstrar a eficácia da ciência e não apenas falar da mesma. Hoje, através de mensagens radiofônicas e peças teatrais o consumo aumentou consideravelmente e, com ele, a saúde da população africana. O desafio agora, assim como tem sido com a soja e o milho transgênicos, é constituir plantas resistentes à seca.
A CHINA FACE À CRISE
Como já é do conhecimento de todos, também a China vem sendo atingida pela crise mundial. O país asiático, conhecido pelo seu enorme crescimento econômico anual (média superior a 11% nos últimos anos), deverá crescer abaixo de 8% em 2009, havendo previsões mais pessimistas dando conta de 6% a 7% apenas. O fato é que, pela primeira vez desde 2001, as exportações chinesas recuaram (2,2%) no mês de novembro. Ora, a dependência da economia chinesa para com as exportações em muitas regiões e setores econômicos, caso do têxtil em Shaoxing, chega a 70%. Assim, a preocupação é geral. A tentativa é fazer com que o mercado interno absorva o que não será exportado, porém, nada indica que isso será possível em sua totalidade. Desta forma, o desemprego aumenta na China e desnuda um problema interno grave. O capitalismo chinês é sustentado principalmente por famílias em torno de pequenas e médias empresas. Ora, acordos entre o setor público e o privado acabaram por deformar os mecanismos de mercado, conduzindo a uma super-expansão de certos grandes grupos que, embora privados, não passam de versões híbridas de empresas estatais, as quais possuem maior facilidade no acesso ao crédito e a terrenos para se estabelecerem (cf. a revista econômica chinesa Caijing). Diante da crise, as empresas familiares se vêem ainda mais desprotegidas, além do mecanismo, muito praticado, de as empresas serem fiadoras uma das outras, para obterem empréstimos, se tornar uma bomba-relógio, comprometendo o futuro da economia daquele país. Algo preocupante para quem aposta muito nas exportações para a China, caso de diversas empresas no Brasil e no mundo.
RELATÓRIO DO USDA CONFIRMA SAFRA MAIOR
A safra mundial de grãos será bem maior em 2008/09, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA. Em seu relatório de janeiro, o órgão aponta uma produção mundial de 2,22 bilhões de toneladas de grãos, ou seja, 4,9% superior ao registrado no ano anterior. Por sua vez, os estoques finais mundiais passam a 409,46 milhões de toneladas ou 15,5% acima do registrado em 2007/08. Em soja, se o clima ajudar, a produção mundial será 5,5% superior, atingindo 233,2 milhões de toneladas. Ou seja, um relatório relativamente baixista aos preços agrícolas mundiais no médio prazo.