O Departamento de Agricultura dos EUA, no último dia 12/05, divulgou seu relatório mensal de oferta e demanda. O mesmo era muito esperado pelo mercado agrícola, pois traria, pela primeira vez, projeções quanto à nova safra 2009/10 naquele país e no mundo. Embora confirmando crescimento na produção final de soja, o relatório acabou não trazendo grandes surpresas.
Em trigo, a área semeada nos EUA cairá 7,1% em relação ao ano anterior, ficando em 23,7 milhões de hectares. Com isso, a produção final projetada, em clima normal, recuaria 19%, para 55,1 milhões de toneladas.
As exportações estadunidenses do cereal também seriam menores, se estabelecendo em 24,5 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais do ano seriam de 17,33 milhões de toneladas. Ou seja, nos mesmos níveis estimados para o atual ano comercial.
Os preços médios em Chicago, em 2009/10, seriam menores, devendo girar entre US$ 4,70 e US$ 5,70/bushel, contra a média de US$ 6,85 estimada para 2008/09 e US$ 6,48/bushel em 2007/08. Em termos mundiais, a produção recuaria para 657,6 milhões de toneladas, porém, os estoques finais subiriam para 181,9 milhões.
A produção da Argentina seria de apenas 11 milhões de toneladas, enquanto o Brasil ficaria com 5,5 milhões de produção e importações de 5,7 milhões de toneladas. No milho, a área a ser semeada nos EUA nesse ano recuaria de 1,2%, para 34,4 milhões de hectares.
A produção final está projetada nos mesmos níveis do ano anterior, ou seja, 307,2 milhões de toneladas, sendo que o uso para etanol subiria para 104,2 milhões de toneladas, após 95,3 milhões estimados para 2008/09.
As exportações devem crescer para 48,3 milhões de toneladas, com estoques finais em recuo de 28,4%, para 29,1 milhões de toneladas.
USDA: POUCAS SURPRESAS (II)
Nesse contexto, os preços médios projetados para 2009/10 ficariam entre US$ 3,70 e US$ 4,50/bushel de milho, contra US$ 4,20 alcançados nos dois últimos anos.
Em termos mundiais, a produção de milho seria de 785,14 milhões de toneladas ou 0,34% a menos do registrado um ano antes. Os estoques finais mundiais seriam de 128,2 milhões de toneladas, após 139,6 milhões um ano antes.
Na soja, a área a ser semeada nos EUA foi mantida em 30,76 milhões de hectares, com um aumento de apenas 0,4% sobre a área do ano anterior.
Todavia, a produção estadunidense subiria para 86,9 milhões de toneladas ou 8% acima do registrado em 2008/09. Diante de exportações estáveis, os estoques finais passam, então, a um patamar melhor, devendo ficar em 6,26 milhões de toneladas, contra os apertados 3,5 milhões deste ano.
Os preços médios em Chicago são projetados em recuo, devendo ficar entre US$ 8,45 e US$ 10,45/bushel durante o ano comercial, contra mais de US$ 11,30/bushel que vem sendo praticado nesta segunda semana de maio.
A média estimada para o ano comercial 2008/09 ficaria em US$ 9,85, enquanto a média do ano anterior foi de US$ 10,10/bushel. Por sua vez, a produção mundial de soja subiria para 241,72 milhões de toneladas, acusando um ganho de 13,6% sobre o ano anterior.
O comércio mundial de soja, em 2009/10, seria de 75,3 milhões de toneladas e os estoques finais do grão atingiriam 51,88 milhões de toneladas. A produção da Argentina seria de 51 milhões de toneladas, após a fracassada safra desse ano, enquanto o Brasil chegaria a 60 milhões.
Em grãos de soja, a exportação brasileira seria de 24 milhões de toneladas, contra apenas 9,4 milhões de parte da Argentina. Já em farelo de soja os vizinhos exportariam 26,5 milhões de toneladas, contra 11,85 milhões por parte do Brasil.