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É preciso colher os frutos no estádio de maturação ideal para consumo. É considerado maduro o fruto que apresentar características definidas para cada variedade.
Deve-se evitar colher frutos nas primeiras horas da manhã, quando ainda estão túrgidos ou com orvalho ou ainda molhados de chuva. Frutos com cortes ou qualquer outro tipo de injúria devem ser descartados ainda no campo. É proibida a mistura de frutos coletados no chão com os colhidos na planta. Obrigatoriamente, os frutos colhidos não devem ter contato direto com o solo, nem exposição direta às intempéries (sol e chuva, principalmente), e é recomendado que sejam levados para a empacotadora no mesmo dia da colheita.
Transporte
O transporte até a empacotadora deve ser feito em veículos e equipamentos adequados, limpos e higienizados. Dar preferência a caixas plásticas limpas para evitar contaminação e danos aos frutos por amassamento. Deve-se evitar também o pisoteio da carga e a sobrecarga para evitar contaminação.
Recepção
Na recepção, os frutos devem ser obrigatoriamente identificados e registrados quanto à procedência. Amostras dos frutos devem ser retiradas para avaliação da qualidadeÉ obrigatória a limpeza e a higienização dos ambientes e do maquinário antes do beneficiamento de frutas.
Lavagem
Para a lavagem das frutas é obrigatório o uso de produtos neutros ou específicos para a cultura, ou sanitizantes recomendados e registrados segundo a legislação vigente. A qualidade da água deve ser analisada periodicamente e a água residual deverá ser encaminhada ao tratamento antes do retorno ao solo ou ao leito dos rios.
Seleção
Descartam-se os frutos danificados mecanicamente, os frutos verdes, que têm ratio baixo, fraca coloração de suco e podem gerar sabor estranho e os frutos muito maduros, que são facilmente afetados por doenças e mais sensíveis aos danos mecânicos, o que pode gerar sabor estranho e contaminação do restante da carga.
Classificação
Muito importante para unificação da linguagem de mercado. Com ela reduz-se as perdas e consegue-se melhores preços. A classificação de laranjas está baseada na cor da casca (escala visual), diâmetro do fruto (mm) e presença de defeitos e manchas (%), que vão determinar, respectivamente, a coloração, a classe e a categoria do lote. Essas informações são veiculadas nos rótulos das embalagens.
Embalagens
As embalagens e a rotulagem destas devem seguir as recomendações da instrução normativa conjunta SARC/ANVISA/INMETRO/009, que estabelece que as embalagens não devem causar danos aos frutos e devem ter dimensões que permitam a paletização conforme o PBR – Palete Padrão Brasileiro, de 1,00 x 1,20 m. Podem ser recicláveis ou retornáveis. Neste último caso devem ser limpas e desinfectadas a cada utilização. No caso de comercialização em sacos, estes devem ser acondicionados em embalagens que atendam os requisitos de paletização. As embalagens devem ser armazenadas, obrigatoriamente, em locais protegidos da entrada de pragas e outros animais, guardando-se as novas em local separado das usadas.
Todas as embalagens devem ser rotuladas de acordo com a legislação vigente para identificação do produto e fins de rastreabilidade. O rótulo deve estar visível ao comprador, mesmo quando as embalagens estiverem paletizadas, empilhadas ou em exposição.
Armazenamento
As condições dependem da variedade, do local de cultivo e do estádio de maturação do fruto. De modo geral, laranjas podem ser armazenadas a 5ºC / 90-95% de umidade relativa por cerca de dois meses. Tratamentos fungicidas, filmes plásticos e cera auxiliam no prolongamento da vida útil pós-colheita dessas frutas.
Temperaturas mais baixas que as recomendadas podem ocasionar injúrias pelo frio, que geram manchas de coloração vermelha ou marrom e depressões na casca. A umidade relativa também deve ser controlada para que não favoreça a incidência de doenças quando muito alta ou a excessiva perda de peso quando estiver baixa.
Obrigatoriamente deve-se proceder à limpeza e higienização das câmaras, registrando as operações no caderno pós-colheita.
José Luis da Silva Nunes
Engenheiro Agrônomo, Dr. em Fitotecnia
Fonte
AZEVEDO, C.L.L. Colheita e pós-colheita de citros. In: Sistema de produção de citros para o Nordeste. Disponível em https://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Citros/CitrosNordeste/colheita.htm.