Por Ivan Cruz - Pesquisador do Núcleo de Fitossanidade da Embrapa Milho e Sorgo
Apesar da disponibilidade de estratégias para o manejo de pragas na cultura do milho, ainda existe dificuldade de implantação de programas, até mesmo para a lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda, que, apesar do grande avanço nas pesquisas, ainda causa elevados prejuízos ao agricultor. Controle químico ou biológico são eficazes, quando aplicados na época adequada. O monitoramento de adultos da praga, através de armadilha contendo feromônio sexual sintético, favorece a tomada de decisão. Esse acompanhamento tem apontado a presença constante dessa praga em diferentes regiões produtoras de milho, com maior incidência na fase inicial de desenvolvimento da planta. Áreas sem o monitoramento com armadilha de feromônio, e/ou sem a técnica apropriada, geralmente levam à utilização de medidas de controle tardias, e, portanto, de baixa eficácia para esta praga. Grande população da praga pode pôr em risco, inclusive, a eficácia de uma cultivar de milho Bt.
Cultivares transgênicas
A disponibilidade de milho transgênico no Brasil já ultrapassa 100 cultivares. Aquelas para o controle de insetos são resultantes de três eventos básicos, o MON 810 (“Yieldgard”), o TC 1507 (“Herculex I”) e o Agrisure TL (Bt11). Estas cultivares também são comercializadas na versão convencional, diferindo apenas na característica conferida pelo evento transgênico.
Lepidoptera, como S. frugiperda, a lagarta-da-espiga, Helicoverpa zea, e a broca-da-cana-de-açúcar, Diatraea saccharalis, são o alvo do milho Bt. As cultivares expressam a toxina Cry 1A(b) (MON 810 e Bt11) ou Cry 1F (Herculex).
Como em toda inovação, para maximizar os benefícios econômicos do milho Bt, as recomendações de órgãos de pesquisa e de empresas detentoras das sementes e as diretrizes legislativas que regulam sua utilização, devem ser cumpridas, especificamente, as seguintes regras básicas: a de coexistência, exigida por lei, e o Manejo da Resistência de Inseto (MRI).
COEXISTÊNCIA - uso de uma bordadura de 100 metros isolando as lavouras de milho transgênico daquelas convencionais. Alternativamente, pode-se usar uma bordadura de 20 metros, composta por 10 fileiras de milho convencional (igual porte e ciclo do milho transgênico) isolando a área de milho transgênico.
ÁREA DE REFÚGIO – é necessária devido ao consenso de que o cultivo do milho Bt em grandes áreas resultará na seleção de biótipos das pragas-alvo resistentes às toxinas do Bt. No Brasil, a área de refúgio deve ter 10% da área cultivada com milho Bt, utilizando híbridos não Bt, de igual porte e ciclo e, de preferência, os seus isogênicos. A área de refúgio não deve estar a mais de 800 metros de distância das plantas transgênicas.
Pragas
Apesar da disponibilidade de estratégias para o manejo de pragas na cultura do milho, ainda existe dificuldade de implantação de programas, até mesmo para a lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda, que, apesar do grande avanço nas pesquisas, ainda causa elevados prejuízos ao agricultor. Controle químico ou biológico são eficazes, quando aplicados na época adequada. O monitoramento de adultos da praga, através de armadilha contendo feromônio sexual sintético, favorece a tomada de decisão. Esse acompanhamento tem apontado a presença constante dessa praga em diferentes regiões produtoras de milho, com maior incidência na fase inicial de desenvolvimento da planta. Áreas sem o monitoramento com armadilha de feromônio, e/ou sem a técnica apropriada, geralmente levam à utilização de medidas de controle tardias, e, portanto, de baixa eficácia para esta praga. Grande população da praga pode pôr em risco, inclusive, a eficácia de uma cultivar de milho Bt.
Cultivares transgênicas
A disponibilidade de milho transgênico no Brasil já ultrapassa 100 cultivares. Aquelas para o controle de insetos são resultantes de três eventos básicos, o MON 810 (“Yieldgard”), o TC 1507 (“Herculex I”) e o Agrisure TL (Bt11). Estas cultivares também são comercializadas na versão convencional, diferindo apenas na característica conferida pelo evento transgênico.
Lepidoptera, como S. frugiperda, a lagarta-da-espiga, Helicoverpa zea, e a broca-da-cana-de-açúcar, Diatraea saccharalis, são o alvo do milho Bt. As cultivares expressam a toxina Cry 1A(b) (MON 810 e Bt11) ou Cry 1F (Herculex).
Como em toda inovação, para maximizar os benefícios econômicos do milho Bt, as recomendações de órgãos de pesquisa e de empresas detentoras das sementes e as diretrizes legislativas que regulam sua utilização, devem ser cumpridas, especificamente, as seguintes regras básicas: a de coexistência, exigida por lei, e o Manejo da Resistência de Inseto (MRI).
COEXISTÊNCIA - uso de uma bordadura de 100 metros isolando as lavouras de milho transgênico daquelas convencionais. Alternativamente, pode-se usar uma bordadura de 20 metros, composta por 10 fileiras de milho convencional (igual porte e ciclo do milho transgênico) isolando a área de milho transgênico.
ÁREA DE REFÚGIO – é necessária devido ao consenso de que o cultivo do milho Bt em grandes áreas resultará na seleção de biótipos das pragas-alvo resistentes às toxinas do Bt. No Brasil, a área de refúgio deve ter 10% da área cultivada com milho Bt, utilizando híbridos não Bt, de igual porte e ciclo e, de preferência, os seus isogênicos. A área de refúgio não deve estar a mais de 800 metros de distância das plantas transgênicas.
Pragas


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Onde a presença de pragas subterrâneas é reconhecida, o uso de inseticidas é adotado como estratégia de manejo. Quando o controle não é realizado, não há como utilizar medidas eficientes após o plantio do milho.
Insetos mastigadores e sugadores, que ocorrem no milho recém-emergido, compõem o segundo grupo de pragas iniciais importantes. A lagarta-elasmo é comum em áreas de solos mais leves. A praga ataca a base do coleto da plântula. Antes, porém, tece um casulo, acoplado à planta, onde se abriga dos inimigos naturais e se protege da pulverização de inseticidas. A lagarta-do-cartucho também ocorre em plântulas, causando severos danos no milho convencional. A escolha correta do tratamento da semente é estratégia eficiente no manejo destas espécies mastigadoras. (Na foto, praga subterrânea: adulto da lagarta-elasmo)
O milho recém-emergido, quando cultivado nas proximidades de capim braquiária, pode ser atacado pela cigarrinha-das-pastagens e sofrer danos elevados, pela sucção de seiva. O aumento da incidência desta espécie pode ser ainda maior no sistema integrado lavoura-pecuária. Os percevejos sugadores, pragas da cultura da soja ou do trigo, migram para o milho, com grande incidência quando cultivado na safrinha, embora durante a safra também haja presença destas espécies. Descoloração e secamento das folhas, perfilhamento e até morte da planta podem acontecer. Outro sugador de tamanho diminuto, os tripes têm aumentado no milho convencional e no milho Bt. São encontrados no interior das folhas ainda enroladas. Amarelecimento e seca das folhas são sintomas do ataque de adultos e/ou ninfas. A sua presença tem sido correlacionada com o período seco. (Na imagem, percevejo barriga-verde: sugador de plântula)
O tratamento da semente com inseticida sistêmico seria uma maneira também de proteger a parte aérea da planta por um período de alta suscetibilidade aos insetos sugadores.