O que mudou no agro após sete semanas de tensão
Além dos fertilizantes, a cadeia de defensivos também registra elevação de custos
Além dos fertilizantes, a cadeia de defensivos também registra elevação de custos - Foto: Pixabay
A escalada de tensões geopolíticas e as restrições comerciais internacionais vêm ampliando as incertezas no mercado global de insumos agrícolas. Segundo Jeferson Souza, analista de inteligência de mercado, o cenário segue indefinido após sete semanas de conflitos envolvendo Estados Unidos e Irã, com informações desencontradas entre as partes e impactos diretos na previsibilidade para o Brasil.
Paralelamente, a China tem reforçado sua postura protecionista ao praticamente interromper as exportações de fertilizantes e, mais recentemente, de ácido sulfúrico. A medida pressiona especialmente o segmento de fosfatados, considerado atualmente um dos principais pontos de atenção. A avaliação é de que o fósforo se tornou um problema relevante, com potencial de impacto superior ao observado em 2022.
Além dos fertilizantes, a cadeia de defensivos também registra elevação de custos. Os preços dos princípios ativos na China avançaram, refletindo o aumento das matérias-primas utilizadas na fabricação desses produtos, o que se traduz em encarecimento para o produtor rural.
O cenário é agravado por uma sequência de pressões sobre o custo de produção. Embora o câmbio próximo de 5 reais por dólar, em alguns momentos, contribua para amenizar decisões de compra, a relação de troca segue deteriorada. Isso ocorre porque commodities como soja e milho também enfrentam desvalorização, limitando o poder de compra do produtor. Na prática, o alívio cambial não compensa as perdas observadas nos preços agrícolas, mantendo o ambiente desafiador e sem sinal claro de melhora no curto prazo.