Soja segue com comercialização cautelosa
No Rio Grande do Sul, a semeadura alcança 93% da área projetada
No Rio Grande do Sul, a semeadura alcança 93% da área projetada - Foto: Alabama Extension
O mercado da soja no Sul e no Centro-Oeste do Brasil segue marcado por estabilidade no campo, pressão logística e comercialização cautelosa, em um contexto de clima irregular e preços ainda pouco atrativos ao produtor. Segundo a TF Agroeconômica, os dados mais recentes indicam que o avanço da safra ocorre de forma consistente, mas com desafios regionais relevantes.
No Rio Grande do Sul, a semeadura alcança 93% da área projetada de 6,74 milhões de hectares. A recorrência de chuvas volumosas e os curtos intervalos de tempo seco têm desacelerado as operações, com 93% das lavouras em estágio vegetativo e 7% em início de florescimento. Apesar do bom vigor das áreas implantadas mais cedo, o excesso de chuva em dezembro, especialmente no Noroeste, causou alagamentos e erosão laminar. A comercialização segue lenta, com produtores aguardando melhores cotações, enquanto o armazenamento permanece pressionado pela sobreposição de safras. No porto, a soja foi cotada a R$ 144,00 por saca, e no interior os preços variaram entre R$ 134,47 em Cruz Alta e R$ 137,00 em Santa Rosa.
Em Santa Catarina, o cenário também é estável, mas com atenção redobrada ao clima. Houve redução de 5,6% na produtividade esperada do milho verão, o que aumenta a demanda interna por soja para ração animal. As vendas seguem travadas, em meio a prêmios menores nos portos e foco na gestão de custos. A recuperação de Chicago traz leve otimismo, limitado pela competitividade argentina e pela desvalorização do dólar. No porto de São Francisco, a saca é negociada a R$ 142,00.
No Paraná, o destaque é o início antecipado da colheita no Oeste, com cargas apresentando elevada qualidade e produtividade acima de 150 sacas por alqueire. Mesmo assim, o DERAL registrou queda de 3,03% no preço médio estadual, para R$ 114,90 por saca. Em Paranaguá, a soja chegou a R$ 143,00, enquanto no interior os preços variaram entre R$ 130,00 e R$ 133,70.
Já no Mato Grosso do Sul, a comercialização segue lenta, com apenas 16% negociados. Os produtores retêm o produto à espera de preços mínimos próximos a R$ 120,00 por saca, enquanto as cotações atuais giram entre R$ 114,00 e R$ 115,00. A produção estimada é de 15,2 milhões de toneladas, 6% acima do ciclo anterior, com colheita mais consistente prevista para a segunda quinzena de fevereiro.
Em Mato Grosso, houve revisão positiva de 0,8% na produtividade, elevando a produção estimada para 46,9 milhões de toneladas, apesar de ainda representar queda anual. O anúncio da saída de grandes tradings da Moratória da Soja, válida até o fim de 2025, foi comemorado pelo setor. No entanto, a logística segue pressionada, com armazéns cheios e fretes elevados, cenário que pode se intensificar com a expectativa de safra recorde nacional.