O controle de pragas, feito exclusivamente com agrotóxicos, afeta o estabelecimento e o desenvolvimento de inimigos naturais, reduz a diversidade biológica, desencadeia o aparecimento de novas pragas e a ressurgência de pragas consideradas secundárias (Santos, 2007). Dessa forma, métodos alternativos de controle e menos agressivos à
entomofauna benéfica devem ser adotados, o que torna indispensável à utilização de estratégias baseadas no manejo integrado de pragas (MIP). Ressalta-se que, nesse sistema de manejo, devem-se levar em consideração as seguintes práticas:
• Identificar as pragas-chave nos diferentes estádios fenológicos da planta;
• Monitorar as pragas e seus inimigos naturais com amostragens frequentes;
• Estabelecer os níveis de controle para cada praga;
• Integrar vários métodos de controle;
• Aplicar agrotóxicos somente quando necessário, procurando-se, sempre que possível, levar em consideração os níveis populacionais e as condições favoráveis para o desenvolvimento dos insetos. Dessa maneira, preconiza-se evitar a resistência das pragas, a elevação dos custos de produção, a presença de resíduos nos frutos colhidos
e os riscos de intoxicação dos agricultores e consumidores.
• Utilizar apenas agrotóxicos registrados para a cultura, conforme as exigências do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Vide Agrofit) e da Cidasc (vide Sigen) – Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários), certificando-se de que eles sejam devidamente prescritos por profissional habilitado;
• Observar rigorosamente a forma de aplicação prevista no receituário agronômico e na bula, especialmente no que diz respeito à quantidade recomendada, carência e intervalo de aplicação.
É fundamental que os agricultores estabeleçam várias práticas auxiliares de controle, como a adubação equilibrada com análise de solo prévia, manutenção da vegetação natural próxima à área de plantio como reservatório de inimigos naturais das pragas e a eliminação das solanáceas espontâneas, pois elas podem ser hospedeiras de
importantes pragas do tomateiro (Mueller et al. 2008).
Ao adotar o MIP, deve-se realizar o monitoramento das pragas e de seus inimigos naturais por meio de amostragens. Essa prática permite acompanhar o aumento e a diminuição das populações de insetos, as épocas de ocorrência e os picos populacionais, facilitando a orientação da tomada de decisão sobre o momento mais adequado para a realização do controle. As amostragens devem ser realizadas
semanalmente e, em épocas de alta infestação, duas vezes por semana. Recomenda-se que a inspeção seja feita em quatro parcelas escolhidas aleatoriamente, contendo cinco plantas cada uma, sequenciadas na linha de plantio, totalizando 20 plantas/área
ou talhão de até 1,0ha. Em áreas superiores, amostrar 106 mais 20 plantas/ha. A cada inspeção devem ser amostradas plantas distintas, realizando o caminhamento em zigue-zague, percorrendo as extremidades e o centro da área (Gravena & Benvenga,
2003).
Para auxiliar a tomada de decisão de controle, podem-se instalar armadilhas do tipo Delta, contendo no interior um fundo adesivo e uma cápsula difusora do feromônio sexual sintético específico para a praga-alvo, ou seja, aquela que se pretende controlar. O monitoramento também pode ser feito com armadilhas adesivas de coloração amarela e azul, conforme Santos et al.
Texto retirado do artigo: Sistema de produção integrada para o tomate tutorado em Santa Catarina.
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