A importância da adubação no tomate
Leia sobre a adubação na cultura do tomate e quais seus principais pontos.
Foto: Embrapa
Dentre as hortaliças, o tomate é considerado uma das culturas com maiores demandas em relação à adubação, porém, possui uma baixa eficiência de absorção de nutrientes, e assim, possui grande exigência de fertilizantes para compensar este problema, respondendo bem à altas doses de adubos. Visando uma agricultura sustentável, o uso de fertilizantes na cultura deve ser feito de forma racional, conhecendo os diversos fatores que influenciam na disponibilidade dos nutrientes no solo.
Os nutrientes participam de diversas funções nas plantas, influenciando tanto na quantidade como na qualidade do produto final colhido. A deficiência de nutrientes resulta em baixa produtividade, frutos pequenos, possíveis deformações e maior possibilidade de doenças como podridão apical e escurecimento interno ("coração negro"), causadas pela deficiência de cálcio. Ainda sobre doenças, a aplicação de fertilizantes afeta as doenças e pragas, pois influencia no estado nutricional da planta, e proporciona estandes densos, que alteram a interceptação de luz e umidade.
No tomate, assim como em outras culturas, a absorção e acúmulo de nutrientes por parte da cultura varia conforme a cultivar, expectativa de produtividade, estádio de desenvolvimento da cultura, espaçamento e sistema de condução das plantas, temperatura, época de plantio, luminosidade e umidade relativa. Conhecer esta variação de absorção de nutrientes conforme o estágio de desenvolvimento é fundamental para realizar adubações com bons resultados. As aplicações de fertilizantes podem ser feitas em épocas de maior necessidade de cada nutriente, evitando tanto a deficiência de nutriente quanto o excesso, pois ambos causam prejuízos financeiros, além de poluição ambiental no caso do excesso.
A correção da acidez do solo também é fundamental para a disponibilidade de nutrientes para o tomateiro, influenciando tanto a absorção quanto a assimilação destes para a cultura. Nutrientes como o nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, enxofre e boro possuem baixa disponibilidade quando o pH se encontra próximo ou abaixo de 5,0. Além disso, esse valor de pH possibilita altas quantidades de alumínio disponíveis no solo, podendo causar toxicidade para a planta de tomate. Já quando o pH fica próximo ou superior a 7,0, diminui-se a disponibilidade de nutrientes como ferro, cobre, manganês e zinco. Assim, entende-se a importância de se determinar a dose correta de calcário, diminuindo a acidez do solo, mas sem elevar demasiadamente o pH. A faixa de pH ideal para a cultura do tomate é de 5,5 a 6,5. Já a saturação por bases deve ficar entre 70% a 80%.
Fayad et al. (2002), estudando o acúmulo de nutrientes em cultivares de tomate de crescimento determinado e indeterminado, concluiu que, dá maior para a menor, a ordem das quantidades de nutrientes absorvidas pelo tomate é a seguinte:
- Cultivares de crescimento indeterminado: Potássio > Nitrogênio > Cálcio > Enxofre > Fósforo > Magnésio > Cobre > Manganês > Ferro > Zinco
- Cultivares de crescimento determinado: Potássio > Nitrogênio > Cálcio > Enxofre > Magnésio > Fósforo > Manganês > Ferro > Cobre > Zinco
A época de maior absorção de nutrientes ocorre após o florescimento, a partir de aproximadamente 90 dias após o plantio. Cálcio e enxofre apresentam baixa translocação entre os órgãos da planta. Já o nitrogênio, fósforo, potássio e magnésio apresentam alta translocação.
Fique ligado! Nesta nova seção sobre o tomate, traremos notícias e conteúdos sobre a cultura, publicados periodicamente no nosso portal!
Anderson Wolf Machado - Engenheiro Agrônomo
Referências:
FAYAD, J. A.; FONTES, P. C. R.; CARDOSO, A. A.; FINGER, J. L.; FERREIRA, F.A. Absorção de nutrientes pelo tomateiro cultivado sob condições de campo e de ambiente protegido. Horticultura Brasileira, Brasília, v. 20, n. 1, p. 90-94, mar 2002.