As brocas são insetos cujas larvas se alimentam perfurando uma galeria e penetrando nas plantas. No trigo, como praga podemos destacar a broca-do-colo (Elasmopalpus lignosellus), também conhecida como lagarta elasmo, a broca-da-cana (Diatraea saccharalis), a broca-da-coroa-do-azevém (Listronotus bonariensis) e a larva-alfinete (Diabrotica speciosa). Essas espécies apresentam desenvolvimento holometabólico (ovo-larva-pupa-adulto), ocorrem em todas as regiões do país e em diversas outras culturas além do trigo, podendo causar danos significativos.
Características da Broca-da-cana (Diatraea saccharalis)
As larvas da broca-da-cana possuem entre 2,2 e 2,5 cm de comprimento no seu último estágio, com cor amarelo pálida e cabeça marrom. O adulto da broca-da-cana é uma mariposa, com 2,5 cm de envergadura, com as asas anteriores com cor palha com duas linhas transversais escuras e as asas posteriores esbranquiçadas.

Adulto e larva da broca-da-cana (Diatraea saccharalis). (Foto: Alberto Luiz Marsaro Júnior / Embrapa Trigo)
As fêmeas da broca-da-cana colocam seus ovos nas folhas. Destes ovos surgem larvas que irão completar seu desenvolvimento, aproximadamente, aos 40 dias. Após, as pupas duram entre 9 e 14 dias, e o ciclo evolutivo completa-se em 53 a 60 dias.
Sintomas e danos: esta praga possui um hábito polífago, se alimentando de diversas culturas, principalmente gramíneas, de interesse econômico como milho, cana-de-açúcar, milheto, sorgo etc. No trigo, não é comum ocorrer danos significativos, a praga geralmente ataca plantas isoladas. O ataque ocorre através do broqueamento do colmo na parte média ou superior, reduzindo a translocação de água e nutrientes, causando o esvaziamento e morte da espiga. Este sintoma muitas vezes é confundido com efeito da geada, porém, diferente da geada, o ataque desta broca causa danos em plantas isoladas.
Controle da broca-da-cana no trigo
Geralmente as brocas são pragas secundárias no trigo, não sendo o principal alvo das ações de controle. Assim, não existem níveis de ação definidos para se definir uma tomada de decisão do controle na cultura. O uso de inseticidas no tratamento de sementes geralmente causa efeito nas brocas que atacam o trigo no início do ciclo, porém, não existem produtos registrados oficialmente para esta espécie no trigo.
Como controle cultural, pode ser feita a rotação de culturas com plantas que não sejam gramíneas. Também pode ser feito o controle genético em milho usando cultivares resistentes, reduzindo a população dessas pragas em sistemas de cultivo que envolvam o trigo.
Diversas espécies podem realizar um controle biológico natural das pragas, como por exemplo fungos, bactérias, nematoides ou insetos predadores. No caso da broca-da-cana, existem produtos biológicos registrados específicos para essa praga, como os parasitoides Trichogramma galloi e Cotesia flavipes e a bactéria Bacillus thuringiensis.
Anderson Wolf Machado - Engenheiro Agrônomo
Referências:
BORÉM, A.; SCHEEREN, P. L. Trigo: do Plantio à Colheita. [S. l.]: Universidade Federal de Viçosa, 2015.
PIRES, J. L. F.; VARGAS, L.; CUNHA, G. R. da. Trigo no Brasil: bases para produção competitiva e sustentável. [S. l.: s. n.], 2011.
Salvadori, José & Marsaro Júnior, Alberto & Suzana-Milan, Crislaine & Lau, Douglas & Engel, Eduardo & Pasini, Mauricio & Pereira, Paulo. (2022). Pragas da cultura do trigo.