Silicato de Potássio - Adubo e defensivo em um só produto
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Silicato de Potássio - Adubo e defensivo em um só produto

Tudo o que você precisa saber sobre o fertilizante silicato de potássio.
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O silicato de potássio é um fertilizante composto por, no mínimo 10% de potássio na forma de K2O e 10% de silício, obtido a partir da reação de minerais silicatados ou de sílica reativa com hidróxido de potássio. Trata-se de um pó de rocha que é moído e sem tratamento. Este fertilizante se apresenta como uma alternativa ao cloreto de potássio por possuir algumas vantagens, tais como não apresentar cloro, reduzindo efeito de salinidade no solo e fitotoxicidade às plantas, além de atuar como um defensivo, pois o silício é depositado na cutícula das folhas, formando uma barreira mecânica que impede / dificulta a penetração e colonização de fungos. Outro fator, é que se trata de um produto que é extraído no Brasil, ao passo que a grande maioria do cloreto de potássio é importado, tendo o seu preço muito variável. Já como aspecto negativo do silicato de potássio é o fato de possuir um teor de K2O muito menor do que o cloreto de potássio, como veremos adiante.

Quanto à solubilidade, ao passo que o cloreto de potássio é um fertilizante com alta solubilidade, tendo um bom efeito imediato, o silicato de potássio possui uma baixa solubilidade, tendo como ponto positivo o efeito residual, mas que não surtirá efeitos instantaneamente.

 

Benefícios do silício para as plantas

O silício é um nutriente benéfico para as plantas, cuja absorção está diretamente ligada ao pH do solo (em condições de pH mais elevado, haverá maior quantidade de silício disponível). Várias pesquisas evidenciam a importância do silício para as plantas. Dentre os seus benefícios, temos:

  • Controle de pragas e doenças: ao ser absorvido, este nutriente é depositado na epiderme das folhas, que ficam mais espessos, funcionando como uma barreira física ao ataque de insetos e doenças;
  • Redução dos prejuízos por déficit hídrico através da redução da transpiração da planta, causada pelo espessamento da epiderme das folhas;
  • Indução de mecanismos naturais de defesa das plantas (produção de compostos fenólicos, enzimas e acúmulo de lignina);
  • Melhoramento da arquitetura foliar, favorecendo o aproveitamento de luz;
  • Redução da toxicidade por ferro, alumínio e manganês.

 

O silicato de potássio como defensivo

Uma alternativa ao combate de doenças é a indução da resistência das plantas, ativando seus mecanismos de defesa, que podem ser ativados com agentes bióticos e abióticos, como por exemplo o silício, presente no silicato de potássio. O silício está presente em diversos produtos indutores de resistência, fornecendo uma boa proteção para algumas doenças, além de ser um nutriente para as plantas, resultando em aumento de produtividade.

Estudos realizados pela Universidade Federal de Lavras em cafeeiros para a proteção contra o fungo causador da cercosporiose mostraram proteção de 31% para a doença em relação às plantas que não foram tratadas com nenhuma substância.

Outros estudos foram realizados em trigo, testando a redução da severidade da brusone em plantas adultas. Em um dos estudos, os cultivares de trigo submetidos à aplicação com silicato foliar e no solo apresentaram maior redução da severidade da brusone quando comparados às plantas não tratadas. Cultivares com menor grau de resistência à brusone foram as que apresentaram melhor resposta à aplicação de silicato. Além disso, o silicato propiciou um aumento entre 26 a 92% na produção de grãos. Quando o teste foi feito em plantas jovens, houve redução da severidade da doença em todos os tratamentos. Já em outro estudo, não houve resultados eficientes, sendo necessários mais estudos com diferentes dosagens e formas de aplicações.

Diversos outros estudos foram realizados em outras culturas, apresentando diferentes resultados. Assim, evidencia-se a necessidade de se continuar pesquisando e testando o silicato de potássio como defensivo para se obter mais informações dos seus benefícios bem como a elaboração de recomendações oficiais.

 

Vale a pena usar o silicato de potássio?

Por ser um fertilizante que não possui cloro, este produto pode ser uma alternativa para o uso em culturas sensíveis ao cloreto. Quanto à contribuição de potássio, deve-se avaliar a situação do solo e objetivos futuros. Se o solo estiver com uma quantidade adequada de potássio, pode-se usar o silicato para fazer a manutenção do potássio a longo prazo, aproveitando o seu efeito residual. Já em áreas onde existe uma necessidade imediata de potássio, este fertilizante não é ideal pois não possui efeito imediato, demorando anos para estar disponível para as plantas.

Outro fator que deve ser considerado, é o teor de potássio. Como ele possui um menor teor de potássio do que o cloreto de potássio, são necessárias quantidades bem maiores do silicato para adicionar uma dose específica de potássio ao solo quando comparado ao cloreto de potássio. Este fator se reflete muito nos custos com transporte, armazenamento e aplicação do fertilizante, afetando fortemente os custos da produção. Além disso, se calcularmos o custo por ponto de potássio no silicato, o preço final pode ser bem maior do que no cloreto de potássio, ou pode ser menor dependendo do caso, perto de regiões produtoras. Assim, é necessário um cálculo considerando estes fatores para se avaliar a viabilidade do uso do silicato de potássio.

Quanto ao caráter defensivo do silicato de potássio, como vimos anteriormente, alguns estudos apresentam resultados favoráveis e outros não. Deve-se continuar estudando este produto para entender melhor como se dá seus benefícios.

 

Anderson Wolf Machado - Engenheiro Agrônomo

 

Referências:

Amaral, Daniel R. et al. Silicato de potássio na proteção do cafeeiro contra Cercospora coffeicola. Tropical Plant Pathology [online]. 2008, v. 33, n. 6 [Acessado 4 Maio 2022] , pp. 425-431. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S1982-56762008000600004>. Epub 19 Fev 2009. ISSN 1983-2052. https://doi.org/10.1590/S1982-56762008000600004.

PAGANI, Ana Paula S.; DIANESE, Alexei C.; CAFÉ-FILHO, Adalberto C. Management of wheat blast with synthetic fungicides, partial resistance and silicate and phosphite minerals. Phytoparasitica, V. 42, n. 5, p. 609-617, 2014.

SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO, 9., 2017, Santana do Livramento, RS. SILICATO DE POTÁSSIO NA REDUÇÃO DA SEVERIDADE DA BRUSONE EM PLANTAS ADULTAS DE TRIGO [...]. Universidade Federal do Pampa: [s. n.], 2017.


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