CI

“O campo está exposto” - Segurança do Trabalho é deficiente, diz especialista

Situação é grave e requer atenção das autoridades - Lino Hamann




Em tempos de safras recorde, abundância de produção e altos ganhos nas principais culturas brasileiras, um aspecto é praticamente desconhecido do público e pouco tratado mesmo dentro do agronegócio – a segurança do trabalho no campo. Não há sequer estatísticas atualizadas e comprovadas, mas projeções extra-oficiais estimam que cerca de 150 mil trabalhadores são expostos anualmente a agroquímicos, e destes, três mil pessoas acabam morrendo.


O Portal Agrolink inicia nesta terça-feira (18.06) uma série especial sobre o tema, ouvindo o engenheiro agrônomo e de segurança do trabalho Lino Hamann, diretor da Elo Engenharia. “Se a segurança do trabalho e a saúde ocupacional dos trabalhadores brasileiros é deficiente de uma forma geral, imaginem no campo. A fiscalização não chega e os responsáveis, seja por desinformação ou por negligência, não a praticam”, aponta Hamann.

Segundo ele, 270 milhões de pessoas são vítimas de acidentes e contraem doenças ocupacionais no mundo, e nada menos que 2,2 milhões vão a óbito. No Brasil o número atinge a casa dos 1,3 milhão de afetados pela falta de observância das normas. Morrem em torno de duas mil, perdendo apenas para  a China, com 14 mil,  Estados Unidos (cinco mil) e Rússia (três mil). 


“No campo, onde as estatísticas são precárias ou inexistentes, os números são baixos porque simplesmente não é feita a CAT  (Comunicação de Acidente  de Trabalho), que é obrigatória, segundo as Normas do Ministério e Emprego”, salienta o engenheiro. “Os dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) são ainda da década de 90, mas projetam que as intoxicações por agrotóxicos equivalem a 1% da população exposta, com 1 óbito para cada 50 casos”.

“Todas as atividades rurais são suscetíveis a riscos diários. A exposição a acidentes de trabalho e doenças ocupacionais não acontecem apenas com quem lida com químicos. Há máquinas, equipamentos, energia elétrica, armazenagem, trabalho em altura, condições ambientais, convivência com animais (muitas vezes doentes), exposição a insetos e micro-organismos – pois se está em contato com água contaminada e matéria em decomposição. Mas um dos grandes problemas é a armazenagem de produtos tóxicos – são guardados junto a alimentos, água, animais e até na própria residência da família”, explica. 


“O campo está a descoberto. Carece de maior atenção das autoridades. As grandes empresas estão atualizadas, porque a fiscalização é constante, e os empresários são mais conscientes. Mas olhando para a massa de trabalhadores rurais, a situação descamba. O campo precisa de mais atenção à segurança do trabalho”, conclui Lino Hamann.

Veja ainda: “O campo está exposto” - Ignorância e negligência de alto risco

E também: O campo está exposto – “Se bater fiscalização nas agroindústrias, fecham todas”
Assine a nossa newsletter e receba nossas notícias e informações direto no seu email

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.

2b98f7e1-9590-46d7-af32-2c8a921a53c7