Fertilizantes organominerais
CI
Fertilizantes

Fertilizantes organominerais

Leia sobre as propriedades dos adubos organominerais.
Por:

Fertilizante organomineral é aquele obtido a partir da mistura física ou combinação de fertilizantes minerais e orgânicos. A política nacional de resíduos sólidos enfatiza a importância do reaproveitamento e agregação de valor aos resíduos sólidos. Os adubos orgânicos, conforme vimos na seção de adubação orgânica, em geral possuem baixas concentrações de nitrogênio, fósforo e potássio, tendo como principal vantagem o condicionamento do solo, e neste aspecto a adubação mineral atua junto com o orgânico para prover o efeito nutricional, proporcionando maior vantagem para o desenvolvimento das plantas. Além disso, a matéria orgânica reduz as perdas de alguns nutrientes no solo, como por exemplo a perda de nitrogênio por lixiviação.

Como os fertilizantes organominerais devem possuir uma concentração mínima de carbono oriundo da fração orgânica, os formulados possuem menor espaço para fontes minerais. Desta forma, não é possível elaborar um fertilizante organomineral tão concentrado quanto produtos minerais, sendo assim, usados em combinação com nutrientes minerais.

Os processos de produção de fertilizantes sintéticos, em sua maioria, são obtidos através de processos com grande gasto de energia. Após a transformação dos resíduos animais e associação com fertilizantes minerais, é possível produzir fertilizantes organominerais granulados com alto teor de fósforo solúvel e menor gasto energético.

Quando existe a presença de um componente orgânico na adubação, este proporciona maior capacidade de troca de cátions no solo, promovendo uma maior retenção e liberação mais lenta dos nutrientes quando comparados aos sintéticos, e assim, fornecendo os nutrientes em sincronismo com a época de maior demanda das culturas, além de diminuir as perdas destes.

No caso do fósforo, a maior parte dos fosfatos utilizados em fertilizantes é oriunda de rochas, que podem ser exauridas em 50 anos (Cordell et al., 2009; Gilbert, 2009). A dinâmica deste nutriente no solo é complexa, em solos tropicais é fortemente controlado por reações de sorção do solo, influenciando muito na sua disponibilidade às plantas. O uso de fertilizantes organominerais pode ser uma alternativa interessante, pois a matéria orgânica no solo influencia positivamente na disponibilidade do nutriente no solo (influenciando na adsorção do fosforo aos coloides do solo), aumentando a eficiência do fertilizante.

Existe o mito de que ao comprar um fertilizante organomineral, grande parte dele é constituído por água. Porém, segundo o MAPA, a quantidade máxima de umidade nos fertilizantes organominerais sólidos é de 30%, sendo geralmente um valor inferior, ainda mais quando se trata de organominerais granulados ou peletizados.

Segundo Castanheira, Alecrim e Beluttivoltolini (2015), o uso contínuo de fertilizantes organominerais reduz a necessidade de aplicações de grandes quantidades de adubo com o tempo, sendo necessário apenas adubações de manutenção, pois o uso de organominerais estimula a proliferação de organismos responsáveis por mineralizar os nutrientes do solo, disponibilizando para as plantas durante o seu ciclo de vida. Além disso, estes produtos minimizam as perdas por volatilização e lixiviação de nitrogênio, fixação e precipitação do fósforo e lixiviação do potássio. Segundo Levrero (2010), estima-se que o aproveitamento de nitrogênio mineral é de até 50%, do fósforo de até 20% e do potássio de até 60% do produto aplicado. Os fertilizantes organominerais aumentam o aproveitamento em até 70% para nitrogênio, 50% para fósforo e 80% para potássio. Este aumento do aproveitamento ocorre em função da proteção que a matéria orgânica exerce sobre a fração mineral, ficando menos exposta a chuvas e cargas do solo. Assim, estes nutrientes vão sendo liberados lentamente durante o ciclo da cultura, podendo proporcionar maior aproveitamento, e reduzindo as doses de aplicação.

Diversos estudos apontam que: 

  • A adubação orgânica apresenta efeito acumulativo em relação à adubação mineral quanto à produtividade de grãos na segunda safra (Pelá, 2005)
  • Luz et al. (2010) concluíram que o uso de organominerais na produção de mudas de alface (cultivar Vera) proporcionou maior altura de plantas, número de folhas, massa frasca da parte aérea a massa de raízes. Já na produção comercial, as plantas tratadas tiveram maior diâmetro, massa frasca da parte aérea e da raiz.
  • Bezerra et al. (2007) verificaram que o uso de adubo organomineral promoveu incrementos na produtividade de batatas (cultivares Ágata e Atlantic).
  • Luz et al. (2010) observou o aumento de produtividade em tomate comercial através do uso de fertilizantes organominerais. Já em tomate rasteiro, Coimbra et al. (2013) usando adubação organomineral e indutores de resistência, concluiu que estes produtos são eficientes para se reduzir ou substituir parcialmente o uso de agrotóxicos.

Evidentemente alguns estudos não resultaram em aumento de produtividade com o uso de fertilizantes organominerais. A prática depende também de outras condições de manejo, bem como a espécie cultivada, tornando importante a realização de estudos para seguir fornecendo dados mais precisos de recomendações.

 

Como vantagem da adubação organomineral, temos:

  • Uso de resíduos que são passivos ambientais de outros sistemas de produção;
  • Proximidade entre ponto de produção de resíduos de suínos e aves e as propriedades de produção de grãos;
  • Aumento da atividade microbiana do solo;
  • Aumento da capacidade de troca de cátions;
  • Proteção contra a salinidade causada pela adubação mineral;
  • Redução de lixiviação de formas catiônicas;
  • Aumento da disponibilidade dos micronutrientes;
  • Melhora na estrutura de solos argilosos;
  • Contribuição com matéria orgânica, proporcionando efeito condicionador de solo;
  • Aumento da capacidade de retenção de água;
  • Crescimento de raízes;
  • Melhor aproveitamento de nutrientes como nitrogênio e fosfato.

 

Mesmo que o aumento do uso de fertilizantes organominerais não elimine a dependência externa por fertilizantes no brasil e nem impacte nos preços destes produtos, os benefícios ambientais e sócio-econômicos relacionados ao uso de organominerais justificam o seu uso (Benites, 2010).

 

Quando vale a pena usar adubos organominerais

Para complementar o entendimento do conteúdo, recomendamos assistir ao vídeo abaixo, do canal "Adubos & Adubações", em que o Engenheiro Agrônomo Doutor Nelson Horowitz esclarece sobre em que momentos é viável o uso do adubo organomineral.

 

Anderson Wolf Machado - Engenheiro Agrônomo

 

Referências:

ULSENHEIMER, Aline Marion et al. FORMULAÇÃO DE FERTILIZANTES ORGANOMINERAIS E ENSAIO DE PRODUTIVIDADE. Unoesc & Ciência, ACET Joaçaba, ano 2016, v. 7, p. 195-202, dez. 2016.

JUNEK, Jorge Otavio Mendes de Oliveira et al. Fertilizantes organominerais. INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE, AGRÁRIAS E HUMANAS (ISAH), Circular técnica 06, Araxá, MG, 2014.

PELÁ, A. Efeito de Adubos Orgânicos Provenientes de Dejetos de Bovinos Confinados nos Atributos Físicos e Químicos do Solo e na Produtividade do Milho. Dissertação (Doutorado em Agronomia). Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Botucatu, SP. 2005. p.145.

LUZ. J. M. Q.; OLIVEIRA, G.; QUEIROZ, A. A.; CARREON, R. Aplicação foliar de fertilizantes organominerais em cultura de alface. Horticultura Brasileira, Brasília, v. 28, n. 3, p. 373-377, 2010.

BEZERRA, E.; LUZ, J. M. Q.; SILVA, P. A. R.; GUIRELLI, J. E.; ARIMURA, N. T. Adubação com organomineral Vitan na produção de batata. In: ENCONTRO NACIONAL DA PRODUÇÃO E ABASTECIMENTO DA BATATA, 13., 2007, Holambra. Anais eletrônicos… Holambra: ABBA, 2007. 

LUZ, J. M. Q.; BITTAR, C. A.; QUEIROZ, A. A.; CARREON, R. Produtividade de tomate Débora Pto sob adubação organomineral via foliar e gotejamento. Horticultura Brasileira, Brasília, v. 28, n. 4, p. 489-494, 2010.

COIMBRA, K. G.; PEIXOTO, J. R.; SANTINI, M. R.; NUNES, M. S. Efeito de produtos alternativos no desempenho agronômico de tomate rasteiro. Bioscience Journal, Uberlândia, v. 29, n. 1, p. 1508-1513, 2013.

LEVRERO, C. R. Caminho sem volta. In: Encarte Especial ABISOLO. Piracicaba – SP: ESALQ, jul. 2010.
 


Atenção: Para comentar nesta página é necessário realizar o seu cadastro gratuíto ou entrar.
  • Clicar no botão Entrar caso já possua cadastro no Agrolink
  • Se não tiver cadastro ainda em nosso site Cadastre-se gratuitamente e terá acesso a conteúdos exclusivos
  • Clique aqui todas as vantagens de fazer seu cadastro no Agrolink

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.