A nutrição como ferramenta na recuperação de equinos com doenças enterais

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A nutrição como ferramenta na recuperação de equinos com doenças enterais

Nutrientes com alto valor biológico são a saída para recuperação mais rápida no tratamento de cólicas e doenças gastrointestinais nos animais
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A nutrição de equinos é bastante estudada com o objetivo de oferecer o suporte necessário para os animais executarem o máximo de seu desempenho esportivo. Porém, em algumas situações, a exigência nutricional destes animais muda muito. Uma condição importante, que ilustra isso,  é referente a animais hospitalizados com doenças gastrointestinais. Equinos hospitalizados com queixa de cólica podem passar por cirurgia ou não, porém na maioria dos casos há um período variável de jejum forçado.

Durante o jejum o corpo reduz o gasto energético direcionando nutrientes para as funções vitais. A fonte inicial de energia é o glicogênio estocado no fígado, esta fonte é consumida entre 24 e 36h. Com a persistência da demanda energética para a manutenção do metabolismo, inicia-se o processo de catabolismo da musculatura, utilizando-se aminoácidos para produzir energia.
 
Não obstante essa redução do metabolismo pelo jejum, o estresse causado pela dor, a infecção, inflamação e consequentemente o estresse oxidativo, levam o organismo à situação de hipermetabolismo, em que a demanda energética e proteica é maior que a energia de manutenção. O jejum tem grande efeito sobre o metabolismo sistêmico e saúde intestinal. A ausência de ingesta no intestino, por si só, causa alterações na microbiota intestinal, atrofia das vilosidades intestinas e redução da função imunológica local, na presença de afecção entérica, essa situação se agrava muito. Neste momento a possibilidade de fornecer nutrientes para o animal através da alimentação é bastante benéfica.

Embora cada caso clinico deva ser avaliado individualmente, cavalos em jejum com funções gastrointestinais mínimas preservadas, ou seja, com motilidade, sem diarreia severa, refluxo ou íleo paralitico devem ser realimentados o mais breve possível. Em casos cirúrgicos a realimentação é indicada entre 12 e 24 horas, após a cirurgia, respeitando as condições clinicas do animal. A nutrição precoce, após 12 horas de cirurgia é bem tolerada pelos pacientes e ainda tem efeitos positivos, como a recuperação mais rápida da função gastrointestinal.
 
Essa realimentação deve ser em pequenas porções com o máximo de frequência possível ao longo de dia. O recomendado é que se realize de 6 a 8 refeições diárias, para evitar sobre carga funcional do trato gastrointestinal e levar a absorção ao máximo. Mas o que oferecer? Quais tipos de nutrientes são importantes neste momento? Como já comentado, animais com função digestória preservada podem receber nutrição voluntária ou forçada, via sonda nasogástrica.

O principal é pensar que, em condições clínicas críticas, deve-se considerar uma nutrição de suporte ao metabolismo. Neste sentido, os ingredientes utilizados na dieta devem ser de alto valor biológico, ou seja, alta digestibilidade. O primeiro objetivo geral é oferecer energia e proteína, para evitar o catabolismo, além de fibras e vitaminas. Dentre os aminoácidos a glutamina merece atenção especial, ela é o aminoácido livre mais abundante no plasma e músculos. Participa também da síntese de glicose, atua no sistema antioxidante do organismo e tem função importantíssima na síntese e maturação de células de alta proliferação, como células imunológicas e intestinais. Desta forma, a glutamina atua de forma ampla na defesa do organismo em doenças enterais. 
 
A presença de fibras na dieta é importante para manter o perfil nutricional do animal mais próximo ao fisiológico, reduzindo o risco de ocorrerem diarreias.  As fibras ainda auxiliam a funcionalidade do intestino grosso e o equilíbrio da microbiota; os pré e pró-bióticos agem em sincronia com as fibras para a saúde deste órgão. A inflamação e reposta imune demandam quantidades importantes de enzimas, além de ativarem o sistema antioxidante do organismo frente ao estresse oxidativo. Portanto as vitaminas não podem ser esquecidas. Além da exigência metabólica da maioria delas, as vitaminas K e B devem ser fornecidas por sua síntese estar potencialmente reduzida no intestino grosso.

Além disso, o sistema antioxidante exigirá, principalmente, as vitaminas C e E, além dos minerais selênio e zinco. A nutrição enteral equilibrada, com nutrientes de alto valor biológico, realizada com cuidado e critério é uma ferramenta valiosa na recuperação mais rápida, com menor custo metabólico para o animal e melhor custo beneficio no tratamento da cólica.

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