Abef vê embarques fortes de frango a partir de setembro

Agronegócio

Abef vê embarques fortes de frango a partir de setembro

O Brasil é o maior exportador de carne de frango do mundo, e no ano passado as vendas externas tinham crescido 11 por cento frente a 2007
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Reuters - As exportações de carne de frango do Brasil fecharam o primeiro semestre deste ano com queda de 1,9 por cento, e o setor aposta em uma recuperação das vendas a partir de setembro, para ampliar em 5 por cento o volume vendido ao exterior em relação a 2008.

De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef), as vendas ao exterior entre janeiro e junho deste ano atingiram 1,8 milhão de toneladas, contra 1,842 milhão no mesmo período do ano passado.

Em junho, as vendas externas totalizaram 329 mil toneladas, queda de 0,34 por cento ante junho do ano passado, mas já acima do patamar visto em setembro de 2008, a partir de quando a crise começou a impactar o mercado.

De 323,9 mil toneladas vendidas ao exterior em setembro, as vendas despencaram para 235 mil toneladas em novembro de 2008, recuperando-se gradativamente desde então mas só voltando à casa das 300 mil em março deste ano.

Para Francisco Turra, presidente da Abef, se o nível visto no mês passado se mantiver, será possível alcançar a expectativa de aumento de 5 por cento ante as 3,6 mil toneladas embarcadas em 2008.

"Onde vamos tirar a diferença é quando houve queda, outubro, novembro e dezembro. Sabemos que aí vai necessariamente subir, e é onde podemos e vamos tirar a diferença para crescer", afirmou Turra em entrevista a jornalistas.

O Brasil é o maior exportador de carne de frango do mundo, e no ano passado as vendas externas tinham crescido 11 por cento frente a 2007.

Turra evita falar em perspectivas para a receita no ano, citando "a oscilação cambial". Nos seis primeiros meses deste ano, os ganhos com as exportações somaram 2,7 bilhões de dólares, uma queda de 20 por cento em relação ao mesmo período anterior.

Em junho a receita foi de 529 milhões de dólares, uma retração de 18,8 por cento ante o mesmo mês do ano passado.

"Certamente não vamos repetir em receita o ano passado. Melhorando o preço (médio), terminaremos bem. Mas com certeza haverá uma queda", disse Turra, destacando que nos seis primeiros meses deste ano houve uma queda de 18 por cento no preço médio do frango contra o primeiro semestre de 2008 -- hoje o preço médio é de 1,6 dólar por quilo, contra 2,10 dólares em setembro.

MERCADOS

Sem conseguir um entendimento com a Rússia e ainda na expectativa da abertura do mercado chinês, a Abef decidiu apostar em uma outra tática para ampliar suas vendas -- pequenos mercados.

A África é uma das apostas, em especial Moçambique, que no ano passado todo comprou 7 mil toneladas do Brasil e neste ano já alcançou 5,5 mil até junho, de acordo com Adriano Zerbini, gerente de Relações de Mercado da entidade.

"O que temos notado é que os produtores locais não conseguem crescer no mesmo ritmo da demanda local", disse ele.

Nos seis primeiros meses deste ano, os embarques para a África subiram 28 por cento, para 162 mil toneladas, com uma receita de 155 milhões de dólares.

O foco da Abef no momento também está na abertura dos mercados de Sudão, Nigéria, Senegal, Indonésia, México e Malásia.

"Não é só o grande mercado que tem que buscar. Alguns pequenos não podemos esquecer, por isso fomos à África", destacou Turra.
 
Já a Rússia foi o destaque negativo, com uma queda de 60 por cento em volume entre janeiro e junho, para 35 mil toneladas.

"A razão é a ligação forte com os americanos, e nos afastaram automaticamente com a redução da cota e com o aumento da tarifa extracota", disse Turra.

Segundo a Abef, os problemas com a Rússia não são sanitários, mas sim políticos, porque o país busca o apoio dos Estados Unidos para sua entrada na Organização Mundial do Comércio (OMC).

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