Adubação nitrogenada na soja
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Agronegócio

Adubação nitrogenada na soja

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Os produtores rurais e muitos técnicos de campo que os orientam têm dúvidas com respeito à conveniência de usar adubo nitrogenado na soja, quando a semente é inoculada com bactérias que têm a capacidade de fixar o nitrogênio que existe em abundância no ar atmosférico (N2) e disponibilizá-lo à planta a custo irrelevante.


Resultados de pesquisas realizadas pela Embrapa, universidades e outras instituições de pesquisa, indicam não ser necessário aplicar nitrogênio (N) nas formulações de adubo para a soja, quando ela é inoculada corretamente. Mesmo assim, técnicos e produtores insistem: mas não vale a pena colocar um pouco de N, só para dar aquele arranque inicial?

Não, caro produtor, porque o crescimento mais vigoroso da soja nos seus primeiros estágios de desenvolvimento, observado quando se aplica N no plantio, desaparece quando as bactérias da inoculação começam a operar nos nódulos que surgem nas raízes, o que ocorre aos 15 dias após a emergência das plantas . Apesar disto, os fertilizantes oferecidos pela indústria vêm com pequenas quantidades de N (2 a 4%), que ajudam no arranque inicial das plantas, não inibem a ação das bactérias fixadoras de N, mas não contribuem para o aumento da produtividade. A indústria argumenta que essa pequena quantidade de N não incrementa o custo do fertilizante! A conferir.


O adubo nitrogenado é caro e se ele não adiciona ganhos de produtividade à cultura da soja, porque usá-lo? Estima-se que o Brasil economizaria cerca de R$ 20 bilhões ao dispensar completamente o uso do N mineral na adubação dos seus quase 28 milhões de hectares de soja, considerando os custos de 240 kg/ha de N (necessários para uma produtividade de 3 t/ha de grãos), os custos operacionais para aplicá-lo no plantio ou em cobertura, além dos benefícios que a sua não utilização proporcionaria ao meio ambiente, reduzindo a contaminação das águas com nitrato e a emissão de N2 e de N2O, este último responsável pela destruição da camada de ozônio na atmosfera.

Com base no nível de conhecimento existente, a adubação nitrogenada da soja não aumenta sua produtividade, portanto, quem lucra financeiramente é o vendedor do fertilizante e não o produtor. Pensem nisso quando estiverem se preparando para o próximo plantio da soja, mas certifiquem-se de que a inoculação seja bem feita, usando inoculantes de qualidade comprovada, produzidos por empresas registradas e dentro do prazo de validade.


Utilizemos a natureza em nosso favor e boa safra.

Amélio Dall’Agnol é engenheiro agrônomo

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