África pode ser autossuficiente em alimentos em uma geração

Agronegócio

África pode ser autossuficiente em alimentos em uma geração

Meta exige a expansão da agricultura, objetivo prioritário de todas as decisões políticas
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Nairóbi (EFE).- A África pode ser autossuficiente na produção de alimentos dentro de uma geração, segundo um estudo do pesquisador Calestous Juma, da Universidade de Harvard, apresentado nesta quinta-feira (02) na Cúpula de Chefes de Estado da Comunidade da África Oriental sobre Mudança Climática e Segurança Alimentar.

Juma, reconhecido internacionalmente por sua aplicação da tecnologia ao desenvolvimento sustentável, assegura em seu estudo "A Nova Colheita: Inovação Agrícola na África" que esta meta exige a expansão da agricultura, objetivo prioritário de todas as decisões políticas.

Segundo o diretor da pesquisa, uma região como o sul do Sudão, que tem uma extensão similar à da Península Ibérica, poderia abastecer de alimentos todo o continente africano se seu sistema agrário estivesse corretamente desenvolvido e seu terreno bem aproveitado.

Juma acredita que a África deva pôr fim às exportações de matérias-primas e à importação de alimentos, já que o aproveitamento dos abundantes terrenos cultiváveis que o continente possui "poderia se traduzir em maior produção, lucros e segurança alimentar".

Para conseguir estes objetivos, Juma considera fundamental o uso da tecnologia no campo, o investimento em obras de infraestrutura, educação e inclusão das mulheres neste aspecto, criação de empresas relacionadas à agricultura e cooperação entre sociedade civil e indústria nesta matéria.

"A Nova Colheita" destaca que somente 4% das terras cultivadas da África contam com sistemas de irrigação e que o elevado custo e a escassez de adubos e sementes de boa qualidade fazem com que os agricultores tirem menos proveito de seus terrenos do que, potencialmente, se pode conseguir.

Isso favorece o desmatamento paulatino das áreas florestais do continente, já que os camponeses cortam as árvores para criar novos terrenos férteis que substituam seus campos, esgotados prematuramente pela ausência de adubos efetivos.

Além disso, segundo o estudo dirigido por Juma, os sistemas de irrigação são insuficientes e as escassas e precárias rodovias dificultam a chegada de materiais às plantações e o transporte das colheitas aos mercados.

No entanto, o pesquisador acredita que há áreas de cultivo na África que já estão sendo bem aproveitadas, como Malauí, onde são executadas estratégias citadas em seu documento e onde se usa tecnologia para fins agrícolas.

O presidente do Malauí, Bingu wa Mutharika, considera que, se forem usados todos os recursos disponíveis, em cinco anos seria possível "realizar o sonho que nenhuma criança morra de fome na África".

Ao falar sobre a relação entre África e América do Sul, a presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla Miranda, estimou que as descobertas apontadas por Juma "poderiam aplanar o terreno para uma melhor colaboração" entre as duas regiões.

O professor Juma acredita que, para conseguir estes objetivos, é necessário haver "vontade política", motivo pelo qual seu estudo foi distribuído aos líderes da Comunidade da África Oriental presentes na cúpula realizada nesta quinta-feira em Arusha, no norte da Tanzânia.

Entre os presentes, estavam os presidentes da Tanzânia, Jakaya Kikwete, que lidera o encontro; do Quênia, Mwai Kibaki; de Ruanda, Paul Kagame; de Uganda, Yoweri Museveni; e do Burundi, Pierre Nkurunziza. (EFE - Javier Triana)

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