AGCO planeja lançar trator com motor 'flex' em 2012

Agronegócio

AGCO planeja lançar trator com motor 'flex' em 2012

Meta é oferecer ao mercado nacional equipamento cujo motor seja capaz de utilizar mistura de 70% de álcool e 30% de biodiesel
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A AGCO confirmou na terça-feira (03) que até o final de 2012 vai lançar a primeira colhedeira de cana-de-açúcar e também de um motor flex para tratores, movido a diesel e a etanol. A companhia, dona de marcas como Massey Ferguson e Valtra, ainda não divulgou qual delas será a bandeira para a entrada da AGCO no mercado de colhedeira de cana, restrito a três empresas: Case, John Deere e a brasileira Santal.


A inovação tecnológica do motor movido a etanol e diesel, que já é testada com sucesso há quase dois anos, está em fase final de pesquisa e deve ser uma das novidades da Agrishow 2012, disse Jak Torretta, diretor de Produtos da AGCO para a América do Sul, em entrevista exclusiva ao DCI, na na terça-feira, segundo dia da Agrishow. Já na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em conjunto com a biorrefinadora Usinas Sociais Inteligentes (USI), desenvolveu máquinas agrícolas inteiramente movidas a etanol e garante que a tecnologia pode ser usada na produção em série.

Torretta informou que os testes da AGCO estão avançados. "Já conseguimos rodar com uma mistura de 50% de etanol e 50% de biodiesel. Nossa meta é ampliar os testes até conseguirmos bom desempenho do equipamento com a mistura de 70% de álcool", explicou o executivo.

Construído com base no trator Valtra BH185/205i, o veículo proporcionará mais flexibilidade na escolha do combustível utilizado, o que poderá gerar redução de custo para empresários do segmento. "Com este motor, reforçamos esta nossa característica e contribuímos para que nossos clientes tenham um custo menor de produção, aumentando sua competitividade. Outro fator fundamental neste projeto é a nossa contribuição para o meio ambiente, com produtos que consomem combustíveis renováveis e menos agressivos ao meio ambiente", declarou Jak Torreta.


O executivo explicou que o motor desenvolvido pela companhia terá dois sistemas de injeção, um para cada combustível. "Basicamente, um trator equipado com esse motor será utilizado em canaviais de usinas, que conseguem ter o etanol a um custo baixo, e não para qualquer agricultor", concluiu o diretor, ressaltando que, embora a AGCO seja a maior exportadora de tratores da América Latina, a expectativa inicial da empresa é de que os produtos inovadores, com preços competitivos, abasteçam o mercado nacional, onde já existe oferta de etanol em larga escala e garantia de abastecimento do biocombustível.


UFRGS

Se a grande indústria ainda não tem nenhum exemplar de trator com tecnologia para operar parcial ou totalmente a etanol, a situação é bem diferente quando o assunto são os pequenos tratores, voltados especificamente para os micro produtores. A biorrefinadora Usinas Sociais Inteligentes (USI), com o apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, conseguiu produzir uma máquina que roda 100% no álcool.

Ainda não há nenhum trator 100% movido a etanol à venda, mas a tecnologia é compatível com a produção em maior escala, de acordo com o professor da UFRGS, Harold Ospina Patino. Agora, garante ele, vai depender das empresas fabricantes de tratores colocarem esse produto no mercado. "O custo de produção é o mesmo que uma unidade semelhante à diesel ou gasolina", garante o professor.


As USI são novidades apresentadas na Agrishow deste ano. Trata-se de miniusinas que produzem etanol a partir de amido e sacarose, usando de cana, batata doce, mandioca etc. A grande inovação é que essas usinas podem ser instaladas em pequenos espaços. Uma área de apenas 100 m² é o suficiente para a montagem de uma USI.


Diversificação

Além do investimento em máquinas a álcool, a AGCO confirmou a intenção de expandir os produtos da bandeira Valtra, que é até 2007 comercializava apenas tratores. Além das pulverizadoras, que já começam a ser oferecidas aos agricultores, a intenção da indústria é lançar, até o fim de 2012, a primeira colhedeira de cana-de-açúcar. Hoje, apenas Case, John Deere e a brasileira Santal atuam no segmento no País.

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