Peixe

Agregação de valor: no Paraná soja e milho viram peixe

A C.Vale inaugurou um abatedouro com capacidade de processar 75 mil tilápias por dia
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A C.Vale inaugurou na sexta-feira (20) em Palotina (PR) um abatedouro de peixes (foto) com capacidade inicial para processar 75 mil tilápias por dia. A estrutura, que exigiu R$ 110 milhões em investimentos, revela a estratégia da cooperativa em apostar em produtos com maior valor agregado. A unidade gerará 400 empregos e a produção envolverá 300 produtores integrados. “Investimos para criar alternativas de renda aos associados e para agregar valor à produção primária. Para produzir tilápias, utilizamos milho e soja, que nós mesmos produzimos. Então, em vez de vender grãos, preferimos vender carne, com maior valor agregado”, destaca Alfredo Lang, presidente da C.Vale. Com o empreendimento, a cooperativa dá início a um novo sistema de integração. Na visão de Lang, diversificar a renda traz segurança e dá estabilidade para a receita do negócio. "A produção de peixe requer um investimento inicial baixo e dá tanto, ou mais, dinheiro que o frango", conta Lang.

A região Oeste é o principal polo de produção de tilápias do Paraná. O cultivo é fonte de renda de pequenos produtores, que investem principalmente na criação dessa espécie. Originária da Ásia, ela representa 74% da produção de pescados no Estado. Como é o peixe mais produzido nos municípios vizinhos, a cooperativa escolheu iniciar pela tilápia, mas eventualmente, no futuro, o frigorífico poderá abater outras espécies. “Tudo dependerá da oferta de matéria-prima e da viabilidade econômica”, entende Lang. O novo sistema de integração é uma aposta em inovações tecnológicas. A cooperativa reuniu tecnologias de oito países para o abate de peixes e para a produção de rações. A meta é atingir a marca de 75 mil tilápias por dia até o final do próximo ano, mas o planejamento prevê a ampliação do processamento para 600 mil tilápias por dia. A planta iniciará abatendo diariamente 15 mil unidades. 

A grande novidade do empreendimento é uma nova tecnologia de produção. A C.Vale desenvolveu, com o auxílio da Universidade de Pisa, na Itália, um sistema de produção intensiva. "A principal vantagem é a possibilidade de alojar até 60 tilápias por metro quadrado de água, doze vezes mais que no sistema tradicional", explica Lang. Ele esclarece, no entanto, que esse sistema será adotado num segundo momento em função do maior consumo de energia elétrica pelos equipamentos de aeração. A cooperativa está buscando uma solução para essa questão através do aproveitamento da energia solar por células fotovoltaicas “O extraordinário ganho de escala de produção vai viabilizar o novo modelo de criação de peixes. Entendemos que será o início de uma nova era para a piscicultura", aposta Lang. O dirigente lembra, ainda, que a C.Vale ingressou na avicultura, em 1997, inovando ao criar frangos em aviários climatizados. Essa tecnologia acabou sendo adotada, posteriormente, pelas demais empresas do segmento.

A fábrica de rações que vai fornecer o alimento aos peixes entrou em operação em agosto. A indústria foi construída com tecnologia suíça e norte-americana e tem capacidade de produção de 200 toneladas por dia. A estrutura física, projetada para atender os produtores integrados, foi construída para permitir que a produção seja triplicada.

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