Agricultores comemoram safra de alimentos orgânicos e sugerem consumo de produtos da época
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Agricultores comemoram safra de alimentos orgânicos e sugerem consumo de produtos da época

Redução de 30% no preço do tomate
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A tradicional feira de alimentos orgânicos, que ocorre todas as manhãs de sábado na rua José Bonifácio, ao lado do Parque da Redenção, tem cores diversas dependendo da época do ano e das safras correspondentes às mesmas. Agora, no início de 2018, o vermelho e suas variações são as cores dominantes nas bancas da feira, em função das safras de produtos como tomate, morango, melancia, framboesa, amora e mirtilo, entre outros. Como a política de preços da feira é mais estável que a do mercado privado tradicional, vários destes produtos estão com preços até abaixo do que se encontra nos grandes mercados. Mas a maior vantagem para o consumidor é o ganho em ausência de agrotóxicos, sabor e valor nutricional.

“Como seguimos princípios ecológicos, nós sempre incentivamos o consumo de alimentos orgânicos da época, pois eles são mais saborosos e têm um maior valor nutricional. Este ano estamos com um verão muito bom, com chuva equilibrada, sem excessos. Estamos com uma melancia muito boa, um melão com um sabor imbatível e uma ótima safra de tomate, para citar três exemplos”, diz Vilson Luiz Stefanoski, coordenador da Associação dos Agricultores Ecologistas Solidários do Rio Grande do Sul. A associação é responsável pela organização do espaço de comercialização em três feiras de alimentos orgânicos em Porto Alegre: a Feira dos Agricultores Ecologistas (FAE) da José Bonifácio, Parque da Redenção (sábados pela manhã), a Feira da Cultura Ecológica do Menino Deus (quartas à tarde) e a Feira Agroecológica do IPA (quintas à tarde).

Redução de 30% no preço do tomate

A safra de tomate é tão boa que os produtores resolveram reduzir em 30% o preço do produto, que passou de R$ 10,00 para R$ 7,00 o quilo. Produtor no município de Cerro Grande do Sul, Vilson Stefanoski comemora o fato, assinalando que o tomate é uma cultura que sempre enfrentou dificuldade para ser produzida no sistema ecológico e aparece nas listas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) entre os produtos com maior índice de contaminação por agrotóxicos.

“O tomate é de uma família que é mais suscetível a pragas e doenças, mas a agricultura ecológica evoluiu muito nestes anos. Hoje conseguimos produzir um tomate com qualidade, sem agrotóxico. Este anos, passamos a vender a sete reais o quilo por causa da boa safra. A gente recebe uma benção da natureza e repassa para quem consome”, assinala o produtor.

O preço dos alimentos orgânicos ainda é objeto de polêmica no que diz respeito à sua relação com os produtos convencionais. O coordenador da Associação dos Agricultores Ecologistas não vê, na média, tanta disparidade de preços assim e acredita que, nos últimos anos, essa diferença vem diminuindo. Stefanoski destaca que os agricultores orgânicos trabalham com uma lógica diferente no processo de definição dos preços dos produtos:

“Nós procuramos não subir nem descer muito os preços, mantendo-os mais estáveis. Este ano, como a safra do tomate foi ótima, estamos fazendo essa promoção com 30% de desconto. No caso das verduras, se você pegar uma base anual, de janeiro a janeiro, elas estão no preço das convencionais. Eu vendo alface a R$ 2,50 de janeiro a janeiro. Em outubro, quando há uma grande oferta, ela não está tão barata, mas agora em janeiro, quando há escassez, ela está muito mais barata do que a convencional. No mercado, os produtos sobem e descem. Nós consideramos que não é bom essa oscilação nem para o agricultor nem para o consumidor. Alguns produtos como o tomate, a batata inglesa e o melão tinham um preço um pouco maior pela falta de oferta, mas os produtores estão se especializando e a oferta está aumentando, o que está trazendo o preço para um nível bom”.

A associação de agricultores debate coletivamente a definição dos preços, inclusive com a participação de consumidores. “O preço tem que ser bom para todos. Nós buscamos sempre o tal do preço justo, que envolve um leque de discussão muito grande”, observa ainda Stefanoski.

Morangos “bombados” x morangos orgânicos

Pedro José Lovato, produtor em Farroupilha, dedica-se principalmente à produção orgânica de pequenas frutas vermelhas como morango, mirtilo, amora e framboesa, alem de outras como figo, caqui e ameixa. Nesta safra de verão, os destaques são o morango, o mirtilo, a amora e a framboesa que se estende por mais tempo, até o início do inverno. Lovato é um dos agricultores pioneiros que participa da feira desde a sua primeira edição. “Ao longo do tempo, fomos mudando um pouco a nossa produção, introduzindo algumas novas variedades e parando com outras, se adaptando também aquilo que a feira demanda dentro dessa grande variedade e diversidade que ela tem hoje”, relata.

Lovato também vê um crescente equilíbrio entre os preços dos orgânicos e dos produtos convencionais, com ganhos para os primeiros, porém, nos quesitos sabor, segurança alimentar e valor nutritivo. Ele cita o caso do morango como exemplo: “Em função do tipo de manejo que a gente faz da nutrição da planta, a produção diminui um pouco. Eu diria que o custo de produção não é maior que o do morango convencional, talvez até seja menor. Hoje, o morango convencional tem uma tecnologia de produção com fertiirrigação muito intensa que faz com que a planta exploda. O tipo de nutrição neste caso é bastante artificial com bastante adubação sintética. Ele dá um morango bombado, mas que perde em sabor e qualidade nutricional. A nutrição do orgânico é bem mais completa pelo tipo de alimento que a planta recebe”.

Quanto ao preço dos orgânicos, o produtor destaca que ele não oscila tanto o que proporciona uma média equilibrada em relação ao preço dos alimentos cultivados de modo convencional. “Ás vezes, ele pode estar um pouco acima, mas outras vezes ele está abaixo. Estamos conseguindo ter morango o ano inteiro. No período de escassez estávamos com o nosso preço abaixo do morango convencional. Agora, no período da safra, o que acontece normalmente é que o preço do morango convencional baixa muito. No nosso caso, não baixa tanto. A nossa oscilação é menor e a nossa média de preço mais equilibrada. O nosso mirtilo, por exemplo, agora está abaixo do preço do convencional. Procuramos manter um preço estável, um preço justo como chamamos”.


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