Agricultores dos EUA refazem contas e diminuem impacto da seca
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Agronegócio

Agricultores dos EUA refazem contas e diminuem impacto da seca

Chuvas de agosto mataram sede principalmente da soja
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Chuvas de agosto mataram sede principalmente da soja. Relatos antecipam dados de relatório esperado para hoje
De lavouras com perda total a áreas que parecem não terem ficado um dia sequer sem chuva, a safra norte-americana 2012/13 tem um pouco de tudo. Em comum, a sensação de que o pior momento da temporada, enfim, ficou para trás. Durante os primeiros dias do roteiro pelo Meio-Oeste dos Estados Unidos, a Expedição Safra Gazeta do Povo encontrou produtores mais aliviados, surpresos com os resultados que estão sendo obtidos nesta reta final da colheita.


“Fechei a colheita da soja com média de 40 bushels por acre (2,7 toneladas por hectare). Achava que não ia chegar a 35 bu/acre (2,35 t/ha), mas pegamos algumas chuvas em agosto e isso literalmente salvou a lavoura”, conta Dan Roe. Com 20% do milho colhido na propriedade que mantém em Montecello, Sul de Wisconsin, Roe amarga quebra de 50% nas primeiras áreas, mas afirma estar otimista com os resultados finais. “Ao que tudo indica, daqui para frente a tendência é só melhorar”, garante.

Produtividades de soja como as de Roe, acima de 40 bushels por acre, são cada vez mais comuns em todo o Corn Belt, a região produtora de grãos nos Estados Unidos. Conforme a colheita avança, fica evidente que as chuvas de agosto, ainda que abaixo da média, salvaram as lavouras do pior. No campo, o consenso geral entre os produtores e analistas ouvidos pela Expedição é que o Departamento de Agricultura, o Usda, irá reajustar para cima a sua estimativa de rendimento e, na esteira, a de produção de soja no relatório de amanhã.

Milho

Para o milho, as expectativas para o relatório são mais divididas. Enquanto alguns produtores como Jon Rosentiel, de Shannon, Illinois, acreditam que as projeções feitas pelo Usda no mês passado estão muito altas, outros como Lynn Martz, de Debalk, também em Illinois, garantem que os números estão subestimados. “O pior já passou. Nós, por exemplo, devemos fechar a temporada com quebra de menos de 30%. Isso porque as primeiras colheitas empurraram nossas médias para baixo. Nas últimas áreas, o resultado está ficando apenas 20% abaixo do esperado. Um ótimo resultado, considerando o ano que tivemos”, avalia a produtora.


Chuvas

Entre analistas, as apostas são de produtividade maior, mas de produção menor. Segundo eles, o abandono de área foi maior que o Usda previa em setembro. O verão quente e seco causou perda total de lavouras de milho nas áreas mais prejudicadas, ao Sul do cinturão de produção, e isso deve fazer com que o ligeiro incremento do rendimento não compense a redução na área colhida.

“De maneira geral, precisamos de chuvas em julho para o milho e em agosto para a soja. As chuvas de agosto chegaram a algumas regiões, mas as de julho nunca vieram. Não é surpresa que a soja tenha se saído melhor que o milho”, resume o prodytor Dave Kirchhoff, de Tripoli, Iowa.

Mercado

Fundos vendem e cotações de milho e soja caem

Da Redação

Certos de que o Departamento de Agricultura dos Estados Undios (Usda) não vai sustentar a previsão de quebra de 13% para soja e milho na safra norte-americana, na comparação com a temporada passada, os fundos de investimento venderam 1,2 milhão de toneladas de soja e 700 mil toneladas de milho, relata o vice-presidente de Futuros para a América Latina da Jefferies Bache, Stefan Tomkiw. Não à toa, as cotações internacionais voltaram a cair ontem em Chicago. No caso da soja, o recuo foi de 1,73% (primeiro contrato, novembro) e de 1,13% (março, auge da colheita brasileira). Para o milho, a queda foi de 0,7% (dezembro) e 0,6% (março).


Esse movimento segue tendência verificada nas últimas semanas, com reflexos em todas as regiões exportadoras. No Paraná, a soja vale R$ 68 por saca (60 kg) – 7,7% menos que em setembro. O milho se sustenta em R$ 24 por saca, praticamente o mesmo preço do último mês, conforme o Departamento de Economia Rural (Deral). Ontem, houve recuo de 1% a 2% nas cotações, suspendendo negócios. Apesar desses recuos, os preços da oleaginosa estão 60% acima dos praticados em outubro de 2011 no Paraná. Os do milho, por sua vez, subiram 13% no último ano.

Perspectiva: Consultorias mudaram de rumo e preveem alta

Desde a semana passada, pipocam no mercado previsões de consultorias tentando antecipar os números que o Departamento de Agricultura (Usda) vai divulgar hoje. A maioria diz que a safra de soja e milho foi menos impactada pela seca. É isso que tem provocado baixa nas cotações, principalmente para a oleaginosa. Ainda assim, será um ano de quebra, principalmente para o milho, que também deve receber notas menos pessimistas do Usda.

Até existem estimativas baixistas. A Lanworth contrapôs 8 toneladas de milho por hectare para as regiões em que a projeção do Usda é de 8,25 t/ha. Em relação à soja, cortou a produção em 1 milhão de toneladas.

Mas o mercado reage a previsões como a da Informa Economics. Para a soja, a empresa prevê 2,54 t/ha e safra de 77,8 milhões de toneladas – o Usda estimou 71,7 milhões de toneladas um mês atrás. Para o milho, seriam 7,97 t/ha e 284,3 milhões de toneladas – ante 272,5 milhões de toneladas do Usda. As estimativas da Informa estão entre as mais otimistas, num grupo de 20 consultorias.


O relatório vai projetar oferta e demanda mundial. A principal variação é esperada nos números dos EUA porque o país está entrando na fase final da colheita, que é a prova final sobre o impacto da falta de chuvas.
Produtividade

Em algumas regiões dos EUA, a produtividade (que lá é medida em bushels por acre) cresceu nas lavouras de milho. O cenário, entretanto, é de uma produção menor que a do ano passado, porque muitos agricultores abandonaram a área.

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