Agro amplia exportações e expõe dependência de insumos
A soja liderou esse movimento
A soja liderou esse movimento - Foto: Foto: Portos RS
O agronegócio brasileiro ampliou de forma expressiva sua presença no comércio mundial nas últimas duas décadas, com avanço das exportações e maior diversificação de mercados. Segundo Nivio Domingues, fundador e diretor da Samba Export Brazil, a média anual do valor exportado pelo setor passou de US$ 37,7 bilhões entre 2003 e 2005 para US$ 166,6 bilhões entre 2023 e 2025, conforme dados do Mapa do Comércio Global do Agro Brasileiro 2026, elaborado pelo RaboResearch Food & Agribusiness, do Rabobank.
A soja liderou esse movimento, acompanhada por produtos como açúcar, carne bovina, milho, café, celulose, carne de frango e algodão. Entre 2023 e 2025, a China respondeu por 33% do valor exportado, seguida por outros países da Ásia, com 17,4%, União Europeia, com 14%, Oriente Médio, com 7,6%, África, com 7%, Estados Unidos, com 6,7%, e Mercosul, com 3,1%.
Ao mesmo tempo, a produção brasileira mantém forte dependência de insumos importados. Em 2024, cerca de 91% da demanda por fertilizantes foi atendida por compras externas. Em 2025, Rússia e China concentraram 49% do valor importado desses produtos. Nos defensivos agrícolas, a China respondeu por 43% das importações em valor, seguida pela Índia, com 15%.
Esse cenário revela um contraste entre a força exportadora do agro e a vulnerabilidade de parte de sua base produtiva. A avaliação apresentada por Domingues aponta que diversificar compradores reduz riscos comerciais, enquanto ampliar fornecedores e a produção nacional de insumos pode diminuir riscos estratégicos ligados à produção. O próximo avanço, nesse contexto, passa por fortalecer a cadeia que sustenta a capacidade brasileira de produzir e vender em escala global.